Notícia Boa!

Precisamos de notícias boas

Uma fonte de informações positivas é necessária para a sociedade

Julius
Julius Nunes
Precisamos de notícias boas

6 de setembro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 25 de setembro de 2020 - 15:55

Conte-me, por gentileza, três notícias boas que você viu, ouviu ou leu hoje pela manhã. Difícil, né? E sabe por quê? Porque a mídia dá mais espaço às notícias ruins. Mas, felizmente, diversas iniciativas, como a desta coluna, têm surgido para espalhar histórias otimistas.

A ideia não é camuflar a realidade, esconder fatos, tornar menos importante problemas ou denúncias, mas ser uma opção para quem deseja uma fonte de informações positivas. Isto porque já está comprovado, cientificamente, que a exposição às notícias ruins pode provocar estresse, ansiedade, depressão, pânico e estresse pós-traumático, fazendo com que as pessoas se sintam impotentes e as afastando da felicidade.

O mais recente estudo sobre o assunto, divulgado em abril deste ano pela revista norte-americana Science, explica que a probabilidade de uma pessoa ficar triste, preocupada, e continuar acessando notícias ruins, aumenta de acordo com a quantidade de notícias negativas que ela consome. Ou seja, cria-se, desta forma, um círculo vicioso. O estudo foi desenvolvido nos Estados Unidos, com 4.165 voluntários, homens e mulheres, de variadas idades, etnias, rendas, graus de instrução e regiões.

Outros estudos, menos recentes, também apontam para esta direção. Quanto mais se consome notícias ruins, mais se fala sobre tais assuntos, e pior, algumas pessoas vão se acostumando a eles. Entretanto, a maioria das pessoas não suporta a quantidade de diária de notícias negativas. A afirmação é da médica estadunidense Christiane Northrop, que diz, ao portal Good News Network, primeira posição no Google quando buscamos o termo, que “o nosso sistema nervoso não foi projetado para lidar com a quantidade diária de más notícias que recebemos de todos os cantos do globo. Essa inundação é demais para maioria das pessoas”.

No jornalismo, a teoria do agendamento, ou agenda setting, desenvolvida em 1970 pelos pesquisadores Maxwell McCombs e Donald Shaw, explica que as conversas da sociedade são pautadas por aquilo que é noticiado pela mídia. E que a imprensa escolhe o que vai veicular de acordo com sua linha editorial e seus critérios de noticiabilidade. Alguns destes critérios são: ineditismo (assuntos novos), impacto (acontecimentos chocantes), rivalidade (disputas), meio que justificando o motivo das notícias serem o que são.

Mas, mesmo com a falta de espaço para as notícias otimistas, para o jornalismo positivo, propositivo, de soluções, ou qualquer outro nome que lhe seja atribuído, as pessoas têm percebido que a esperança, a alegria, a felicidade, também é contagiante. Tanto é, que no Brasil, recentemente, cursos com foco na psicologia positiva ganharam destaque. E não é só por aqui. Diversos países realizam congressos sobre felicidade, lançam livros com a temática, e registram um número crescente de pessoas buscando este equilíbrio também na fé. Vale lembrar que até a Universidade de Harvard criou, há alguns anos, um curso para abordar, especificamente, o tema felicidade e ensinar como alcançá-la. Curso este que se tornou o mais popular da instituição, provando que, inclusive na academia, e numa das mais importantes do planeta, o espaço para este tipo de discussão está escancarado.

Com tudo isso, o jornalismo vem se adaptando. A passos lentos, mas caminhando para frente. O mais bacana é que essa nova abordagem do jornalismo, não responde apenas às seis famosas perguntas que respondia até então: Quem? O quê? Quando? Onde? Como e Por quê? Ele passou a responder àquilo que dá perspectivas, gera esperança, desenvolve a percepção de que é possível mudar. A nova pergunta é “O que se pode fazer agora?”.

No site da Associação Nacional de Jornais (ANJ), a professora Dimitrinka Atanasova, do Departamento de Linguística e Língua Inglesa da Lancaster University (UK), afirma que “a negatividade afasta as pessoas das notícias e, assim, contribui para o declínio do público de notícias, mas também faz com que as pessoas se sintam impotentes e desmotivadas para agir em importantes questões sociais”. Interessante, não?

Notícias ruins vão continuar existindo, precisam ser veiculadas porque a função do jornalismo é informar, sobre tudo. Não queremos viver no mundo de Pollyana, mas num ambiente em que o bem, a esperança, a positividade, o otimismo também façam parte, e assumam protagonismo! Afinal, também precisamos de notícias boas!