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Navios iranianos deixam Porto de Paranaguá no fim de semana

Guilherme
Guilherme Becker / Editor
Navios iranianos deixam Porto de Paranaguá no fim de semana
Os navios iranianos devem ser abastecidos neste final de semana (FOTO: CLAUDIO NEVES/ PORTOS PARANÁ)

26 de julho de 2019 - 00:00 - Atualizado em 26 de julho de 2019 - 00:00

Os dois navios de bandeira iraniana, que aguardam abastecimento na área do Porto de Paranaguá, estão prestes a zarpar. A questão, que estava sendo resolvida na Justiça desde o início de junho, chega ao desfecho neste final de semana.

De acordo com a Diretoria de Operações da empresa pública Portos do Paraná, nesses quase 50 dias em que os navios permaneceram fundeados, todo apoio necessário foi dado para as embarcações, tripulantes e agentes envolvidos na operação.

Com o passe de saída, assim que abastecido, o MV Bavand seguirá para o Porto de Bandar Imam Khomeini (IRBIK), no Irã. Já o MV Termeh irá para o Porto de Imbituba, Santa Catarina.

Abastecimento navios iranianos

O navio MV Bavand, que já está carregado com 48 mil toneladas de milho, vai receber 1,3 mil toneladas de combustível (Petróleo MF380CST). O Termeh, que está vazio, vai receber 600 toneladas.

Segundo a empresa que presta serviço para a Petrobras no abastecimento de navios, eles estão alinhando com a agência marítima a programação (dia e hora) para o abastecimento.

Operação

No Porto de Paranaguá apenas uma empresa faz este serviço para a Petrobras. São duas barcaças com capacidade para carregar até 1.450 toneladas de combustível.

O abastecimento de navios pode ser feito com as embarcações atracadas no cais ou fundeadas. A operação é segura, com barreiras de contenção para evitar que qualquer produto caia no mar.

O trabalho é feito por sete marinheiros, devidamente qualificados. Com mais de dez anos de experiência nesse tipo de atividade, eles passam por treinamentos e capacitação periódicos.

Em média, a empresa realiza de 50 até 90 abastecimentos de navios por mês. Os abastecimentos são feitos dentro de uma área limite – de mar mais calmo, com menos trânsito de embarcações. Na Baía de Paranaguá, o limite é próximo à Ilha das Cobras.

Informação sobre os navios

Nenhum dos dois navios iranianos movimentou carga nos Portos Paranaenses. As embarcações apenas fizeram parada técnica de apoio, para abastecimento, no Porto de Paranaguá.

Este ano, de janeiro até o último dia 25, seis navios passaram no Porto do Paraná apenas para abastecer.

As origens das embarcações foram, além do Irã, Libéria, Bahamas e Dinamarca.

No total, já foram mais de 1.300 atracações, em 2019, de navios de mais de 50 nacionalidades diferentes.

Esclarecimentos Portos do Paraná

Durante o acompanhamento sobre a situação com as duas embarcações do Irã, muita informação sobre as operações portuárias foram divulgadas de forma errada. A empresa pública Portos do Paraná faz alguns esclarecimentos que ajudam para as divulgações futuras sobre o tema.

ÁREA DE FUNDEIO – Todo porto tem uma área destinada à espera dos navios. Geralmente, esta área é externa, fica localizada fora da baía. No Porto de Paranaguá, esta área é abrigada e o canal é maior. Essas características garantem algumas vantagens operacionais e estratégicas para as operações em geral, mas principalmente para este apoio (como é o abastecimento).

A área de fundeio, no Porto de Paranaguá, é “dividida” por tipo de mercadoria e embarcação. Cada categoria tem sua área, por questões de segurança.

FORA DA BARRA – Em Paranaguá, quando se diz que o navio está aguardando “fora da barra”, significa que a embarcação está em mar aberto, para frente da Ilha do Mel (fora da boia 1).

NAVIO FUNDEADO – É o mesmo que dizer “ancorado”. Diferente de quando o navio está atracado (permanecendo amarrado ao cais), os navios fundeados aguardam sem amarração. O que os “prende” ao fundo do mar é a âncora e as amarras das correntes, que também pesam bastante, impedindo que o navio fique solto.

ARMADOR – Armador é o dono, o proprietário do navio. Ele pode ser também o afretador (que possui e também oferece o seu navio para o transporte das cargas) ou pode cobrar pelo aluguel da sua embarcação ou frota.

AFRETADOR – Quem aluga o navio para o transporte da carga. Este agente afreta a embarcação e oferece para quem quer importar ou exportar.

OPERADOR PORTUÁRIO – São as empresas “escolhidas” para oferecer e movimentar a carga de importação ou exportação. São regras comerciais específicas que regem essa escolha.

AGÊNCIA MARÍTIMA – É a empresa contratada pelo armador para correr atrás de todo o processo burocrático que envolve as operações portuárias. É a agência que faz a ponte entre o navio e o porto. E essa figura, por exemplo, que faz a demanda pelo abastecimento do navio, cuida da documentação e das liberações junto à Polícia Federal para a troca, entrada ou saída, da tripulação.

FUMIGAÇÃO – Assim é chamado o processo químico pelo qual passa o porão do navio, já carregado, para o controle de pragas. É um procedimento de desinfecção seca. Uma difusão homogênea por gases, que garante a integridade da carga até o destino (caso dos granéis sólidos de exportação). No Porto de Paranaguá, cinco empresas são autorizadas a prestar esse serviço.

CONSERVAÇÃO – Não existe nenhum tipo de operação que coloque conservantes na carga para aguentar a viagem até o destino. Cada carga tem seu tempo de tolerância. A preservação é feita pelo controle da umidade do porão. É a umidade que pode causar danos à carga de granel para exportação.

Sobre a chegada de um navio – quando deseja operar carga ou solicitar algum serviço de apoio no Porto de Paranaguá, a agência marítima anuncia à Diretoria de Operações que este navio está vindo.

Quando esse anúncio é feito, automaticamente a embarcação entra na programação (fila), que é específica por tipo de mercadoria ou operação. Com este navio já previsto, a autoridade portuária aguarda a confirmação da agência. Confirmada a vinda, a agência corre atrás da documentação necessária para a operação no porto (sendo as seguintes: Passe de Entrada na Capitania dos Portos, a Livre Prática junto à Anvisa, as liberações de carga na Receita Federal, Liberações junto à Polícia Federal e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Planos de Trabalho junto à Diretoria de Meio Ambiente da Portos do Paraná.

O Porto acompanha, por meio de “check lists” do sistema nacional (Porto Sem Papel – PSP) e do sistema próprio (AppaWeb), para verificar se todos os sinais estão verdes, se a embarcação está autorizada com todos os órgãos anuentes. Toda documentação é tratada remotamente.

Com taxas pagas, o navio atraca e opera. São três as taxas pagas ao Porto: Infra-cais – pelo uso da infraestrutura de acostagem; Infra-mar – pela utilização do canal, ou seja, das boias e da segurança garantida pela manutenção do canal através das dragagens e outras obras; e Infra-port – pela utilização da estrutura de operação portuária.

Todas as operações, inclusive as que são apenas de abastecimento, são fiscalizadas e organizadas pelo Porto de Paranaguá, autoridade portuária.