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MST diz que chacina em Mato Grosso foi tragédia anunciada

Redação RIC Mais
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22 de abril de 2017 - 00:00 - Atualizado em 22 de abril de 2017 - 00:00

Integrantes do MST em ocupação da Fazenda Guassahy, em Taubaté, no Vale do Paraíba (SP) (Foto: Lucas Lacaz Ruiz, Estadão Conteúdo)

Número de assassinados, ontem anunciado como sete, subiu para pelo menos nove

O Movimento dos Sem-Terra (MST) considerou uma “tragédia anunciada” o assassinato de ao menos nove sem-terra, quinta-feira (20), no distrito de Taquaruçu do Norte, em Colniza, extremo norte de Mato Grosso. Ontem, o total de mortos anunciados era sete.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, a suspeita é de que os autores dos crimes sejam capangas de fazendeiros da região. Em nota, o MST alega que a chacina não é um fato isolado e lembra que há dois anos Josias Paulino de Castro e Irani da Silva Castro, dirigentes camponeses do município, foram assassinados 48 horas após denunciar ameaças para o ouvidor nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Segundo a nota, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontou a região como uma das mais violentas do Brasil. “Essa onda de violência integra um avanço do modelo capitalista sobre os direitos dos trabalhadores, sobre a apropriação dos recursos naturais, terra, minerais e água. Avanço este potencializado pelo golpe que o Brasil está vivendo, e por projetos de lei como a PEC 215, que dispõe sobre as terras indígenas e quilombolas, a MP 759, que dispõe sobre a reforma agrária, e o PL 4059, sobre a compra de terras por estrangeiros, além de outros projetos e medidas provisórias que não são criados no sentido de resolver os problemas no campo, mas para aumentar a concentração fundiária”.

Ainda segundo a nota, nada está sendo encaminhado no sentido de impedir essas novas tragédias e “a repetição de outras que marcam o mês de abril, como Eldorado dos Carajás, que dia 17 completou 21 anos de impunidade” – em abril de 1996, dezenove sem-terra foram mortos em ação da Polícia Militar nesse município paraense. “Não podemos nos calar diante de tão grande dor; que nossa indignação alcance os responsáveis diretos e indiretos por este massacre, e que este não seja mais um caso de impunidade. Que o Estado não seja novamente conivente com os assassinos. A cada companheiro tombado, nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta”, conclui o MST.

Corpos vão para a perícia

Os corpos das nove pessoas assassinadas vão passar por perícia e identificação, informou a Polícia Judiciária Civil mato-grossense.

De acordo com o órgão, os corpos são de homens adultos – não havendo, portanto, crianças entre os mortos, como chegou a ser divulgado. Três vítimas eram do estado de Rondônia e três do próprio distrito de Guariba. A procedência das demais vítimas ainda está sendo verificada.

Ainda segundo a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, os homens foram mortos por tiros ou facadas. Os corpos foram resgatados ontem (21) no fim do dia e o transporte foi feito durante a madrugada deste sábado (22).

O órgão também informou que os corpos foram levados para uma sala preparatória do cemitério de Colniza, onde os trabalhos de perícia devem acontecer durante todo o dia. A divulgação da lista com os nomes das vítimas será feita pela Secretaria de Segurança Pública do estado.