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MP denuncia Evellyn e isenta Purkote no caso do jogador Daniel

Redação RIC Mais
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27 de novembro de 2018 - 00:00 - Atualizado em 27 de novembro de 2018 - 00:00

Evellyn foi denuncianda pelo MP-PR pr envolvimento com o assassinato do jogador Daniel. (Reprodução/RICTV)

Evellyn Brisola será denunciada no lugar de Purkote Chiuratto, por apontar a participação dele no crime envolvendo o jogador Daniel

Evellyn Brisola, amiga de Allana Brittes, foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) à Justiça, na tarde desta terça-feira (27), por denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho. Evellyn teria dado informações não verdadeiras sobre a participação de Eduardo Purkote Chiuratto no crime que vitimou o jogador Daniel Corrêa, de 24 anos, segundo o MP-PR

Eduardo chegou a ser preso e denunciado pela Polícia Civil ao Ministério Público, mas foi solto na tarde desta segunda-feira (26). Já Evellyn até esta terça não constava como uma das indiciadas no processo, e sim como uma testemunha. 

Jovem é denunciada por declaração

Em entrevista, o promotor responsável pelo caso, João Milton Salles, explicou que o entendimento do Ministério Público sobre a totalidade dos autos foi diferente da análise feita pela autoridade policial que indiciou Eduardo. “A imputação desse crime, da atuação desse Purkote nessa conduta criminosa foi um ardil e uma tentativa de se criar uma tese defensiva que desde o início se mostrou que não, que na realidade o Eduardo Purkote assim como as outras testemunhas que estavam lá, que são sigilosas até pelo pavor que tiveram daquela situação, que são testemunhas. E a tentativa de se imputar um crime a uma dessas testemunhas, nada mais é que do que uma tentativa de se conturbar as investigações e tentar jogar uma cortina de fumaça nos fatos que felizmente se esclareceram”, disse. “Eu não posso dizer o motivo pelo qual Evellyn teria feito isso. Isso ela vai ter que explicar em juízo”, completou ainda o promotor.

Promotor João Milton Salles durante a coletiva de imprensa sobre a morte do jogador Daniel. (Foto: Emerson Guidolin/RICTV)

Luis Roberto Zagonel, advogado de defesa da jovem, afirmou que a decisão do MP-PR foi recebida com “extremo espanto”, já que, de acordo com ele, “ela tentou de todas as formas colaborar e falou o que viu”. Ainda conforme Zagonel, a exclusão de Eduardo Purkote do processo não era esperada. “Também foi com espanto que recebemos a notícia de que Eduardo Purkote ficou de fora, tendo em vista que outras testemunhas corroboraram o que Evelyn disse”, afirmou o advogado. 

Depoimento de Evellyn

Evellyn não havia sindo indiciada pela Polícia Civil. (Foto: Reprodução/RICTV)

Em depoimento, a jovem de 19 anos contou à polícia que beijou o jogador Daniel na boate onde acontecia o aniversário de 18 anos de sua amiga Allana, mas que na residência dos Brittes não ‘ficou’ novamente com o atleta. Entre suas declarações, ela também disse Edison agrediu Cristiana quando a mulher tentou defender o jogador e que Cristiana não mencionou em momento algum que havia sido vítima de uma tentativa de estupro. Ela ainda afirmou que sugeriu que fosse chamada uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para socorrer o rapaz, mas que Edison impediu o telefonema, dizendo que “quem mandava na casa era ele”. Segundo sua versão, ela teria buscado uma coberta a mando de Edison para forrar o porta-malas do carro antes de colocar o jogador lá dentro e Eduardo Purkote teria destruido o celular de Daniel antes que ele fosse levado da casa. 

Represália no caso Daniel

Ricardo Dewes, advogado de defesa de Eduardo, já havia declarado anteriormente que as quatro testemunhas que estavam na casa e não eram acusados no caso Daniel – Lucas Mineiro, Stefany, Tais e Evellyn -,  haviam cometido contradições nos depoimentos e estariam imputando a Eduardo Purkotte algo que não aconteceu. A defesa também negou que o jovem tenha pego a faca e participado do espancamento.

Sobre Evelyn Brisola ter afirmado que Purkote teve participação em ações que culminaram na morte do jogador, os advogados de defesa do rapaz alegam que ela é próxima da família Brittes e que isso teria influenciado em seu depoimento. “A Evellyn é uma garota que está muito próxima da família desde o início, ela é uma menina que ficou na casa, que participou da limpeza da casa, depois ela fez comida e ficou na casa até às seis horas da tarde. Então a gente entende que ela é uma pessoa muito próxima e que tem uma certa ligação com as pessoas que estavam envolvidas”, explicou em entrevista ao Cidade Alerta Paraná na segunda (26).  

Purkote Chiuratto inocente

Eduardo Purkote Chiuratto foi solto nesta segunda (26). (Foto: Reprodução/RICTV)

Empresária em São José dos Pinhais, Viviane Purkote Melo é casada com o ex-vice prefeito da cidade e também chegou a tentar uma vaga no legislativo municipal, mas não foi eleita. Ela é mãe dos gêmeos Purkote e sempre sustentou que o filho, Eduardo, é inocente.

Segundo relato da Polícia Civil, durante a prisão do filho, que ocorreu às 6h em um condomínio de luxo onde a família vive, em São José dos Pinhais, Viviane chorou muito. “Com certeza foi exatamente isso que aconteceu [estava no lugar errado, na hora errada]”, disse a mãe. Ela ainda alegou que a “família [está] toda despedaçada, o que nos mantém em pé é a fé em Deus, e a grande corrente de oração dos amigos que se formou em pro da liberdade e justiça para meu filho”, justificou na ocasião.

Denunciados pelo MP-PR pelo assassinato do jogador Daniel

Ao todo, sete pessoas foram indiciadas pelo Ministério Público do Paraná pela morte de Daniel, cada uma responderá por crimes diferentes de acordo com sua atuação. Ao contrário da denúncia feita pela Polícia Civil, onde Cristiana Brittes responderia por coação de testemunha e fraude processual, o MP-PR imputou uma responsabilidade maior à esposa do assassino confesso. No processo entregue à Justiça, o MP-PR denunciou Cristiana por homicídio qualificado por motivo torpe, coação de testemunhas e fraude processual. A diferença entre Cristiana e os demais indiciados por homicídio, é que ela responderá por homicídio simples e não qualificado – na prática, a pena é muito menor.

Cristiana será indiciada por homicídio qualificado, coação de testemunha e fraude processual. (Foto: Reprodução/Instagram)

No entender do promotor, o jogador só foi retirado da residência dos Brittes depois que Cristiana determinou que ele fosse levado, mesmo sabendo da personalidade violenta do marido, e essa decisão teria influenciado no que aconteceu posteriormente. “Eu tenho relatado alí [no processo] para mim, que está claro, que quando se iniciaram essas agressões [ao jogador] ela teria de alguma forma determinado que aquela agressão não fosse feita, que ele fosse retirado da casa e levado para outro lugar para que, em tese, eles terminassem as agressões. Com o conjunto que eu tenho e por certo que seria muito mais simples, já que eles já estavam agredindo ali desmedidamente, eles só colocaram esse rapaz e ele foi morto em outro local após essa determinação. […] Esses fatos jamais se desenrolariam como se deram se não fosse essa atuação dela. Eu não tenho como dizer o que aconteceria, mas que certamente seria diferente seria”, explicou Salles sobre a decisão do MP-PR. 

Claudio Dalledone Júnior, advogado que representa a família Brittes, não concorda com a decisão do MP-PR, para ele, Cristiana está sendo acusada injustamente e o ponto principal do caso Daniel é na Colônia Mergulhão, onde ocorreu a execução do jogador. “Isso é um contrassenso, não encontra nenhum respaldo dentro do que foi apurado e, principalmente, aquele argumento de que ela teria ali proporcionado ou sugerido que ele poderia, no dizer do promotor, o que me causa mais espanto, brincar daquela maneira. Não houve brincadeira, houve importunação sexual. Denunciar por homicídio a Cristiana, ele está colocando todo o caso Daniel em cheque”, afirmou.

Por telefone, Dalledone disse ainda que solicitou uma reprodução simulada do crime para esclarecer alguns detalhes e chamou de “aventura jurídica” a denúncia de Cristiana por homicídio. Conforme o advogado, ele ainda não teve acesso a denúncia do MP e pretende realizar uma coletiva de imprensa para dar seu parecer sobre as acusações feitas aos seus clientes nesta quarta-feira (26).

Veja por quais crimes responderão os indiciados no caso Daniel: 

Edison Brittes (38 anos): homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;

Cristiana Brittes (35 anos):  homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;

Allana Brites (18 anos):  coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;

Eduardo da Silva (19 anos): homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;

Ygor King (19 anos):  homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;

David Willian da Silva (18 anos):  homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;

Evellyn Brisola (19 anos):  denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

Indiciados pelo MP-PR por envolvimento no assassinato do jogador Daniel. (Infográfico: Luana Silverio) 

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