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Moradores encontram ao menos 8 corpos após operação policial em São Gonçalo

Segundo a polícia, das oito vítimas, sete foram identificadas, e cinco tinham antecedentes criminais

Reuters
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Moradores encontram ao menos 8 corpos após operação policial em São Gonçalo
Bombeiros removem corpos encontrados por moradores no Complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro

22 de novembro de 2021 - 20:01 - Atualizado em 22 de novembro de 2021 - 21:37

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Ao menos oito corpos foram encontrados por moradores no complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, após uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar fluminense no local, informou a polícia nesta segunda-feira (22).

Segundo a polícia, das oito vítimas, sete foram identificadas, e cinco tinham antecedentes criminais. As vítimas usavam roupas camufladas.

“Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) da região. Sete dos oito mortos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, foram identificados. Destes, cinco possuem antecedentes ou anotações criminais. Um dos mortos que não possui antecedentes também estava com roupa camuflada semelhante a do restante do grupo”, informou a polícia civil.

Os corpos foram encontrados pelos moradores em uma área de mangue, e integrantes da PM, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros só chegaram ao local muitas horas após as mortes. O Corpo de Bombeiros alegou motivo de segurança.

Defensoria Pública, Ministério Público, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanham de perto o caso.

“No domingo recebemos denúncias à noite sobre alta letalidade da Polícia Militar numa operação no Salgueiro. Os restos eram chocantes e pedidos dramáticos… estamos fazendo uma escuta ativa da população”, disse o ouvidor-geral da Defensoria Pública do Estado, Guilherme Pimentel.

“Pouco mais de seis meses da operação mais violenta do Rio e o Estado segue confundindo segurança pública com letalidade policial. Os que tem que garantir os direitos dos mais pobres e vulneráveis são os que promovem uma rotina de medo. É preciso entender se os oito mortos morreram no manguezal ou se foram levados pra lá“, disse a deputada Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj.

Em maio, 29 pessoas morreram numa outra ação da polícia, na favela do Jacarezinho, na zona norte da capital. Foi a operação mais letal da história da polícia fluminense.

Nas redes sociais, moradores da comunidade afirmaram que o número de mortos pode ser maior. Parentes das vítimas disseram que há suspeita de tortura em alguns dos corpos e alegam que havia marcas de facadas e tiros.

“Eles tinham marcas de tiros e facadas, gente sem partes do corpo e jeito de tortura“, disse a jornalistas Milena Menezes, que se identificou como irmã da um dos mortos.

A polícia nega que houve tortura, e um inquérito foi aberto para apurar o caso.

O clima foi tenso no Complexo do Salgueiro durante todo o fim de semana.

No sábado, um sargento da PM morreu no local no que teria sido um ataque realizado por criminosos. No domingo, uma idosa de 71 anos foi atingida por uma bala perdida durante um confronto entre policiais e suspeitos de tráfico de drogas. Ela passa bem.

A polícia afirma que foi até o conjunto de favelas para uma operação de “estabilização”.

(Edição de Alexandre Caverni)

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