Notícias

Menina de 12 anos vítima de estupro coletivo é insultada na internet

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

7 de maio de 2017 - 00:00 - Atualizado em 7 de maio de 2017 - 00:00

A polícia ainda busca o local do estupro coletivo e os criminosos que vitimaram a menina de 12 anos (Foto: Pixabay)

Vídeo com aproximadamente um minuto que circula na web mostra a vítima de estupro coletivo cercada por quatro homens nus; internautas acusam a menina de 12 anos de ser ‘bem danada’

A menina de 12 anos vítima de um estupro coletivo na Baixada Fluminense, na semana passada, está sendo insultada na internet. Assim como aconteceu com a adolescente da zona oeste do Rio que sofreu a mesma violência há um ano, ofendida até numa letra de funk, a garota está sendo atacada em comentários misóginos. Nos dois casos, as violações foram filmadas e as imagens foram compartilhadas pelo WhatsApp.

No YouTube, uma internauta que se diz conhecida da vítima escreveu que “não é a primeira vez que ela faz isso” e que a denúncia e a repercussão do estupro é “tempestade em copo d’água”. Outra diz que não houve estupro, e sim sexo consentido: “Agora os garotos se ferram… Ela tinha que chegar na mãe e na delegada, em quem for, e assumir que ela quis”. Um outro disse que ela é “bem danada”, e outro, que “ela estava lá porque quis”. Vários pedem o link do vídeo.

O crime está sendo investigado pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav). O vídeo tem cerca de um minuto e está sendo disseminado nos últimos dias. Ele mostra a vítima cercada por quatro homens nus, enquanto um outro os filma. A menina grita enquanto é estuprada e tenta esconder seu rosto com um almofada. Um dos estupradores diz: “Cala a boca, se alguém ouvir sua voz vai saber que é tu”. Outro fala: “Tapa o rosto da novinha”.

A polícia ainda busca o local do estupro e os criminosos. O nome do município não está sendo divulgado pela Dcav para a preservação da menina. Amanhã, ela deve prestar depoimento. O estupro teria ocorrido há uma semana, depois de uma festa numa comunidade pobre. Segundo apontam as investigações, ela teria sido enganada pelos estupradores, de modo que ficasse mais no local e fosse violentada. Eles teriam ligações com o tráfico de drogas local.

A denúncia à Dcav foi feita na última sexta-feira por uma tia da vítima. Ela contou que a sobrinha está muito abalada com a violência sofrida, e que, inclusive, pensava em fugir de casa. Ela não contou à família sobre o estupro por vergonha e medo de represálias dos criminosos.

A delegada Juliana Emerique de Amorim disse que não há dúvida de que houve estupro e ressaltou que, ainda que a menina tivesse consentido ter relações, trata-se de estupro presumido, por ela ser menor de 14 anos. Os responsáveis irão responder não só por este crime (pena de até 15 anos) mas também por terem filmado e divulgado as imagens (pena de até oito anos). Quem armazenou (em celulares ou computadores) e compartilhou as cenas também será implicado. Provedores e sites estão sendo oficiados para retirar o conteúdo do ar.

Na sexta-feira, a delegada disse que o caso requer resposta rápida. “É um crime abominável, muito grave, que demanda uma ação imediata. A gente não quer que a adolescente trave e não fale mais do que aconteceu. Isso não pode ficar impune. É uma falta não só com a ela e com a família, mas com a sociedade, que já viu o mesmo crime acontecer há um ano”, lembrou.

Em maio de 2016, a Dcav investigou o estupro coletivo de uma menina de 16 anos na zona oeste do Rio, que resultou na condenação de três homens. Dois estão presos e um está foragido até hoje. A adolescente foi incluída no programa de proteção a testemunhas do governo do Estado.

O caso veio à tona e a violência a ela seguiu na internet. Nas redes sociais, foram compartilhados xingamentos e imagens depreciativas e áudios atribuídos a ela. Um funk que a insultava e citava suas partes íntimas teve milhares de visualizações. A letra, cheia de palavrões, listava homens que a teriam violado.

Leia também:

Família soube de estupro coletivo de menina de 12 anos por vídeo

Informamos aos nossos visitantes que nosso site utiliza cookies. Ao usar nosso site, você concorda com nossos Termos de Uso. A maioria dos navegadores aceita cookies automaticamente. Para ver quais cookies utilizamos, acesse nossa Política de Privacidade.