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MP regulamenta reembolso de shows, cinemas e pacotes turísticos por causa do coronavírus

Lucas
Lucas Sarzi Com informações da Agência Brasil
MP regulamenta reembolso de shows, cinemas e pacotes turísticos por causa do coronavírus
Foto: Arquivo.

9 de abril de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:48

O presidente Jair Bolsonaro editou uma Medida Provisória (MP), nesta quarta-feira (8), para regulamentar o reembolso de eventos culturais e serviços turísticos afetados pela pandemia do novo coronavírus. A MP nº 948 foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) e tem validade imediata pelos próximos 60 dias, mas ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

A MP define que, na hipótese de cancelamento de serviços – como reservas de hotel -, e de eventos – como shows, espetáculos, pacotes turísticos, sessões de cinema, espetáculos teatrais -, as plataformas digitais de venda de ingressos, o prestador do serviço ou a empresa responsável não serão obrigados a reembolsar, em reais, os valores pagos pelo consumidor, desde que assegurem a remarcação do serviço cancelado, a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços ou eventos ou algum “outro acordo a ser formalizado com o consumidor”.

O Ministério do Turismo informou, em nota, que entidades do setor tiveram uma taxa de cancelamento de viagens em março superior a 85%. Segundo o Ministério, o segmento é um dos mais afetados pela pandemia da covid-19.

Caso a empresa não consiga oferecer as alternativas de remarcação de evento ou concessão de crédito, o consumidor deverá ter o valor da compra devidamente restituído, atualizado monetariamente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), no prazo de doze meses, contado da data de encerramento do estado de calamidade pública.

Artistas e cachês

A MP também estabelece regras para artistas contratados para eventos já cancelados em decorrência da pandemia. Neste caso, os artistas contratados, até a data de edição desta medida, que tenham sido impactados por cancelamentos de eventos, incluindo shows, rodeios, espetáculos musicais e de artes cênicas não terão obrigação de reembolsar imediatamente os valores dos serviços ou cachês, desde que o evento seja remarcado, no prazo de doze meses, contado da data de encerramento do estado de calamidade pública.

Na hipótese de os artistas e demais profissionais contratados para a realização dos eventos culturais não prestarem os serviços contratados no prazo previsto, o valor recebido deverá ser restituído, atualizado monetariamente pelo IPCA-E, também no prazo de até doze meses, contado da data de encerramento do estado de calamidade pública.

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Foto: Lening Abdala/Arquivo.

Shows remarcados em Curitiba

Na capital paranaense, todos os shows e festivais foram remarcados. No caso da Like Entretenimento, a produtora criou uma campanha de troca de doações de alimentos e produtos de higiene por ingressos, que valem para diversos shows. Depois de remarcar o Festival Coolritiba, que vai ser na Pedreira Paulo Leminski, a produtora Seven Entretenimento também anunciou que criou um ingresso solidário para arrecadar fundos para o combate ao novo coronavírus.

Em ambos os casos, as produtoras pediram que os fãs que já tinham comprado os ingressos não desistam pedindo o reembolso, pois é dessa forma que as pessoas podem ajudar não só a manter os shows. Isso porque um show envolve diversos colaboradores – dos montadores da estrutura até os artistas propriamente – que dependem financeiramente dos shows acontecerem para que mantenham suas casas.