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Médico de Assis Chateaubriand é condenado por abusar sexual de pacientes; veja os relatos

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com reportagem de Beatriz Frehner da RIC Record TV, Oeste

25 de maio de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 16:27

Um médico psiquiatra de Assis Chateaubriand, no oeste do Paraná, foi condenado por abusar sexualmente de duas pacientes entre os anos de 2016 e 2017. Outras três denúncias ainda tramitam na Justiça. Na época, Afonso Aparecido Soares trabalhava no Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), onde as consultas eram rápidas e com o consultório aberto. As violações só ocorriam quando as vítimas eram encaminhadas para sua clínica particular. (Assista reportagem abaixo)

Nos dois casos que já tiveram sentença, o médico já foi condenado a cumprir três anos e meio de prisão em regime aberto pelo crime de violência sexual mediante fraude. Além disso, precisará pagar uma indenização, por danos morais, de R$ 10 mil para cada uma das vítimas

Mesmo após condenado, Soares não teve seu registro profissional cassado e abriu uma nova clínica na mesma cidade, onde atua como médico geriatra, especializado em saúde mental. 

Em nota, o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) informou que “o referido médico responde a processo éticos que tramitam sob sigilo”, mas que as investigações ainda não foram concluídas. 

Relatos das mulheres sobre os abusos 

Umas das mulheres contou à RIC Record TV que foi atendida por mais de um ano no CAPS sem nenhum problema, no entanto, quando precisou ir à clínica de Soares, o abuso aconteceu

“Assim que eu entrei, ele chaveou o porta e colocou a chave no bolso do jaleco. Foi quando, pela primeira vez em uma ano e meio, ele pediu para eu deitar na maca porque ia me examinar. Ele já pegou minha blusa e levantou blusa, sutiã e tudo e começou a apalpar e eu dizendo para ele parar. E ele falando assim para mim ‘fica quieta, fica quieta’, disse. 

Os relatos de outras pacientes também são chocantes e mostram que o médico costumava agir de forma similar

“Ele pediu pra eu deitar, aí ele trancou a porta, com a mesma mão que ele trancou a porta, ele segurou a minha mão que estava para cima e eu tava de vestido. Aí, ele já foi erguendo meu vestido, passando a mão e se encostando. Ele conseguiu me violentar com os dedos. Ele falou que não era para eu me assustar, que aquilo era um procedimento padrão, que ele tinha feito um curso de sexologia e ele tinha que fazer aquilo pra que eu conhecesse meu corpo”, lembrou um das mulheres. 

“Ele pediu para que eu me sentasse na maca, no primeiro momento, eu já fiquei ‘meio assim’ porque ele é um psiquiatra e psiquiatra não toca, apenas conversar com a pessoa. Eu lembro que ele começou a apalpar o meu seio com a mão e chegou a levantar a minha blusa e dar uma olhada. Abaixou e continuou examinando como se aquilo fosse normal, como se fizesse parte do protocolo”, contou outra vítima. 

Todas explicam que não denunciaram o profissional com medo de retaliações. Mas quando uma delas, após conversar com uma psicóloga do CAPS, teve coragem de fazer a denúncia contra o médico, as outras quatro vítimas também resolveram contar o que havia ocorrido

A Secretaria de Saúde instaurou um processo administrativo e na audiência o próprio médico apareceu sem aviso. O que revoltou a defesa das mulheres, já que não ter contato com o agressor faz parte do direito das vítimas. 

“Estavam totalmente despreparadas, não foram alertadas que ele compareceria com advogado e que elas teriam que falar isso na frente dele. A gente considera que foi de fato um absurdo o que aconteceu”, explica o advogado Wandrey Leal Gouveia. 

A Prefeitura Municipal não se pronunciou sobre a audiência, mas informa que o consórcio suspendeu o contrato com o médico e que, portanto, ele não atende mais do CAPS

Descaso da polícia

As mulheres também contam que houve descaso por parte da autoridade policial.

“Lá na delegacia, falaram pra gente assim: ‘olha não leva nada a sério porque não vai dar em nada. Ele é médico, ele tem dinheiro, ele tem poder. Como é que vocês vão provar?’, conta uma delas. 

Outra vítima ainda completou:

“Por diversas vezes eu pensei em desistir porque em cada lugar que você chega, você vai expor o fato, as pessoas te olham parece meio te acusando”. 

O delegado André Mendes não atuava na delegacia de Assis Chateaubriand no início do processo, mas explica que crimes de violência sexual são prioridade de investigação. 

O que diz a defesa do médico

Gelsen Uecker Filho, advogado do médico, recorreu à decisão da Justiça em segunda instância sobre os dois casos pelos quais o psiquiatra já foi condenado. Ele afirma que o cliente é inocente e espera sua absolvição. 

“Existe uma linha muito tênue entre abusos sexuais propriamente ditos e exames físicos feitos pelo médicos naquelas oportunidades. O doutor nega veementemente esses assédios propriamente ditos não aconteceram”, declara Gelsen.

Veja a reportagem completa:

 

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