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Médica do SUS denuncia perseguição em carta aberta dias antes de morrer por Covid-19

Na carta ela relatou que sofria perseguição pelo Secretário de Saúde do Município de Salto do Lontra

Aline
Aline Cristina / Repórter
Médica do SUS denuncia perseguição em carta aberta dias antes de morrer por Covid-19

15 de abril de 2021 - 12:34 - Atualizado em 16 de abril de 2021 - 10:53

Um inquérito será instaurado pela Promotoria de Justiça para apurar a morte da médica Thedra Saucha por Covid-19 na cidade de Salto do Lontra, no Sudoeste do Estado. O caso tomou grande repercussão após uma carta aberta feita pela própria profissional, antes de falecer, por Covid -19, na quarta-feira (14).

Leandro Suriani Gobi, promotor do município informou que provas estão sendo juntadas para verificar se houve irregularidade por parte da secretaria de saúde.

“ Estamos juntando as provas de vídeo, foto e também depoimentos do caso. Durante o procedimento já verificamos que há uma ação judicial em curso, aberta pela própria médica   feita referente ao Município de Nova Esperança do Sudoeste”

A médica, natural do Rio de Janeiro, tinha 35 anos e trabalhava em uma unidade de saúde no município de Salto do Lontra e teve resultado positivo para Covid-19 no dia 19 março.

Na carta aberta, ela relata o repúdio ao secretário de Saúde do município, Valdecir Baldessar durante o tempo de tratamento.

“Recebi alta médica dia 2 do corrente, com prescrição de oxigênio em casa e repouso absoluto. Dia 4 solicitei ao pronto socorro que trouxessem oxigênio. Me foi dito que só após a meia noite pois não tinha quem levasse. Com medo e um torpedo pequeno apenas de oxigênio, solicitei à secretaria de saúde de Nova Prata, Sra. Vanda, que me emprestasse um cilindro. Na mesma hora me foi cedido. Logo percebi o que acontecia de fato no Salto do Lontra”. 

Trecho da carta

No dia 05 de março ela realizou uma tomografia na cidade de Francisco Beltrão que apontou 70% dos pulmões comprometidos, mas mesmo diante da situação o equipamento de oxigênio não foi liberado.

“A noite avisei ao Pronto Socorro sobre a troca do oxigênio pois não chegaria até as 2h da manhã. Fui orientada que o Sr. Valdecir, secretário de Saúde, NÃO autorizava a entrega de oxigênio à minha residência ( que fica há 5 minutos do PS), que eu teria que pegar com meus próprios meios”.

Trecho da carta

Veja a carta na íntegra:

A Secretária de Saúde de Nova Prata do Iguaçu, Vanderleia Faust, enfatizou o carinho que tinha com a médica e informou que prontamente atendeu o pedido da profissional, assim como faria com qualquer outro paciente.

“Uma Excelente profissional atendia todos os pacientes com amor e carinho. A partir do momento que ela pediu ajuda, prontamente o município cedeu

Enfatizou Vanderleia Faust

Nossa equipe conversou com a esposa, de Thedra, segundo Ramonyele Martins, o secretário estava cobrando algumas obrigações que não faziam parte da conduta da médica.

Ramonyele relatou à nossa equipe que Thedra era uma profissional muito humanitária.

“Ela pagava tratamento para pacientes, comprava medicamento e ajudava de todas as formas”

Ramonyele, mandou um vídeo para nossa equipe mostrando como foi a retirada do cilindro de oxigênio de dentro do carro.

“Para buscar o aparelho de oxigênio na unidade hospitalar, eu coloquei Thedra dentro do carro e ela foi dirigindo até o local, pois eu não tenho carteira. Lá foram necessárias 4 pessoas para colocar o cilindro dentro do veículo. Em casa, fui eu mesma que tirei do carro, devido ao peso tive muita dificuldade.”

relatou Ramonyele Martins

O Secretário de saúde não quis dar entrevista sobre o ocorrido, mas encaminhou uma nota por meio da secretaria de saúde.

“A Prefeitura Municipal de Salto do Lontra informou por meio de nota que todo atendimento prestado aos pacientes pela Covid-19 segue o rigor dos protocolos do Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde e da Equipe Médica e Enfermagem da Saúde Municipal.

A nota ainda relata que foi prestado atendimento pleno à paciente, tanto no Pronto Atendimento Municipal, quanto na Unidade Básica de Saúde da Família, com acompanhamento desde o início da confirmação da doença pela equipe de saúde, inclusive atendimentos domiciliar por médico, enfermeira e técnicas de enfermagem, até o encaminhamento ao Hospital Regional do Estado do Paraná.

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que foi fornecido todo o suporte necessário para tratamento de paciente, com o devido registro documental dos atendimentos pela Saúde Municipal.”

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