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Marcelo Odebrecht reconhece que relação com Mantega ‘era errada’

Redação RIC Mais
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13 de abril de 2017 - 00:00 - Atualizado em 13 de abril de 2017 - 00:00

Marcelo Odebrecht foi condenado a 19 anos de prisão

Marcelo Odebrecht classificou a convivência com Guido Mantega como ‘uma via de mão dupla’ e admitiu que financiava ‘pedidos’ em troca de benefícios

Em sua delação premiada, o empreiteiro Marcelo Odebrecht reconheceu que era “errada” a sua relação com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A convivência entre os dois funcionava como uma via de mão dupla: de um lado, Marcelo tinha acesso direto a Mantega, recorrendo ao ministro para resolver questões que atingiam os negócios da Odebrecht; de outro, Mantega pedia que a empreiteira, uma das maiores doadoras de campanhas eleitorais, destinasse dinheiro ao PT.

“É aquela história: você cria uma relação que é errada, uma relação que não deveria precisar. A maior parte das empresas que não tem esse acesso [direto ao ministro] não consegue nem resolver seus problemas. Na verdade, de certo modo ele [Mantega] me escutava, me dava acesso à agenda, eu podia ter reuniões com ele duas vezes por semana. É óbvio que eu também tinha essa facilidade porque eu era um grande doador”, disse Marcelo.

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“As coisas que a gente levava [a Mantega] eram até coisas legítimas, pra destravar um financiamento, é o orçamento do Prosub [Programa de Desenvolvimento de Submarino]. Eu não pedia nada a ele que não fosse correto, agora o errado está em que eu tinha o acesso a ele baseado em eu ser um grande doador. A grande ilicitude está aí. A gente acaba racionalizando de uma maneira errada. Mas não é normal, não se pode considerar normal um negócio desses”, reconheceu o empreiteiro.

Segundo Marcelo Odebrecht, quando Mantega o chamava para alguma reunião, já se sabia que “era para fazer o pedido de alguma coisa”. “Ele [Mantega] me chamava pra dizer ‘Preciso que você autorize cinco pro Vaccari [João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT], ou não sei quanto’ e eu aí eu aproveitava que ele tinha me chamado e já metia uma pendência que eu tinha na época”, detalhou o executivo.

“Por exemplo, muitas vezes eu ia lá fazer pedido, e no final da reunião, Mantega dizia: ‘mas tem aquele nosso amigo, o Vaccari, o João Santana, precisa de 10 a 20’. Não era um vínculo direto, mas era como se fosse uma relação de mão dupla. Ele tinha em mim um grande doador e eu tinha uma agenda e um acesso a ele”, comentou Marcelo.

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