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Mapear crimes ambientais é essencial para frear perda da floresta amazônica, diz estudo

Reuters
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Mapear crimes ambientais é essencial para frear perda da floresta amazônica, diz estudo
Vista aérea de madeira cortada da Amazônia perto de Porto Velho

31 de agosto de 2020 - 12:22 - Atualizado em 31 de agosto de 2020 - 12:26

Por Mauricio Angelo

BRASÍLIA (Thomson Reuters Foundation) – Uma parcela do gado fornecido aos mercados do Brasil é engordada em terras amazônicas desmatadas ilegalmente. Para ocultar este fato aos compradores, é comum os animais passarem por muitas mãos e empresas antes de serem vendidos, disseram pesquisadores brasileiros.

Este processo de “regularização” da carne bovina torna difícil para os compradores ter certeza de que suas cadeias de suprimento evitam o desmatamento –uma razão para a perda generalizada da floresta continuar, explicaram pesquisadores em um estudo que analisa como os crimes ambientais na bacia amazônica muitas vezes são interrelacionados.

Para interromper as atividades de tais redes e impedir que produtos de origem ilegal inundem os mercados globais, é vital tornar estas conexões claras, disse Ilona Szabó, diretora-executiva do Instituto Igarapé, centro de pesquisas brasileiro que publicou o estudo nesta semana.

“Isso inclui revelar não apenas os grupos criminosos e negócios ilegais, mas também os funcionários públicos corruptos –incluindo policiais, escrivães, funcionários da alfândega e políticos que facilitam esses negócios”, disse Szabó em uma entrevista concedida à Thomson Reuters Foundation.

Para rastrear as redes regionais e nacionais que fomentam os crimes ambientais na Amazônia, pesquisadores se uniram à Interpol, à InSight Crime –uma organização de jornalismo e investigação sem fins lucrativos– e a outros parceiros, contou Szabó.

A iniciativa analisou primeiro Brasil, Colômbia e Peru, e mais tarde se estendeu a Bolívia, Equador, Guiana, Suriname e Venezuela, observou o estudo.

O que os pesquisadores descobriram é que atividades ilegais na bacia amazônica muitas vezes interagem de maneiras problemáticas e podem ter diversos impactos ambientais.

O garimpo de ouro em pequena escala, por exemplo, pode fomentar o desmatamento, a contaminação de solos e rios, violações de posse de terras e a violência.

Como parte do esforço para rastrear e reagir melhor a tais atividades ilegais na Amazônia, pesquisadores estão criando um mapa digital de incidentes em tempo real para tentar identificar melhor padrões e sobreposições.

A ferramenta, que contará com sensores remotos e visitas em campo, deve estar pronta em julho do ano que vem, disseram.

“O objetivo é criar uma ferramenta publicamente disponível que possa revelar o crime na cadeia de abastecimento, visando gestores de ativos, bancos de investimento, investidores ESG (ambiental, social e governança corporativa), fundos de pensões e consumidores que estão exigindo ação”, explicou Szabó.

FALTA DE COOPERAÇÃO

Combater os crimes ambientais na Amazônia –que se estende por uma gama de países– pode ser difícil por causa da falta de cooperação internacional, disse Adriana Abdenur, uma das autoras do estudo.

“A Amazônia é um espaço profundamente internacional”, disse Abdenur, cofundadora da Plataforma Cipó, um laboratório de propostas climáticas e de governança.

Um Tratado de Cooperação da Amazônia entre oito países amazônicos, que data de 1978, visa promover um desenvolvimento “harmonioso” da região e o bem-estar humano, mas ele e outros acordos “não estão sendo usados para promover uma cooperação internacional efetiva para a região”, alertou Abdenur.

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