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Lula: ‘Só quem tem direito de decretar o meu fim é o povo brasileiro’

Redação RIC Mais
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13 de julho de 2017 - 00:00 - Atualizado em 13 de julho de 2017 - 00:00

Lula ataca adversários em discurso (Foto: Rovena Rosa, Agência Brasil)

O ex-presidente disse que já previa que seria condenado em outubro de 2016: ‘Estão condenados a me condenar’

No primeiro pronunciamento depois de ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 13, que a sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro tem que prestar conta para a história por conter “forte contexto político” e não ter provas. Lula disse que a condenação tem como objetivo tirá-lo do jogo político e afirmou que com isso vai reivindicar o direito de ser candidato à presidência em 2018. 

Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex. “Eu queria hoje era estar discutindo a situação política e econômica do Brasil. Discutindo o golpe dentro do golpe”, afirmou o petista, defendendo que o presidente Michel Temer deixe o cargo e o Congresso vote um proposta de emenda constitucional para uma eleição direta. 

O ex-presidente disse que já previa que seria condenado em outubro de 2016 quando, em artigo publicado, disse que seus acusadores criaram uma narrativa amplificada pela imprensa e não poderiam voltar atrás. “Estão condenados a me condenar e se não me prenderem serão eles desmoralizados”, disse ele ao ler um trecho do artigo. 

Ao defender sua candidatura à Presidência, Lula disse que é preciso permitir que o pobre entre no Orçamento Federal novamente. “Senhores da casa grande, permitam que alguém da senzala faça o que vocês não têm competência pra fazer.”

Apoio

Antes do pronunciamento de Lula, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) presidente nacional do PT, disse que o ex-presidente recebeu mensagens de apoio de países como Alemanha, Cuba, Uruguai, Equador e uma pessoal do presidente da Bolívia, Evo Morales. 

Em frente à sede nacional do PT, manifestantes fizeram um ato de apoio a Lula. A rua foi fechada por um carro de som, onde oradores se revezaram ao microfone. Uma pequena multidão acompanhou o carro de som. O líder do MTST, Guilherme Boulos, presente ao encontro, afirmou que a sentença contra a Lula une os movimentos de esquerda para lutar contra a tentativa de torná-lo inelegível em 2018. “O que unifica todos os setores é que não dá para decidir a eleição no tapetão”, afirmou. 

Defesa

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, afirmou que sua equipe ainda estuda qual a melhor forma de recorrer da sentença, o que pode incluir um recurso diretamente ao TRF-4. Ele lembrou que o presidente não está impedido juridicamente de concorrer a eleição no ano que vem por ser alvo de uma decisão apenas de primeira instância. 

“Acredito que não só a questão de tempo (para a sentença em segunda instância) é relevante, mas que a inocência do ex-presidente seja reconhecida nas instâncias superiores. Nosso trabalho não é com o tempo.”

Grampos

Na sentença em que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o juiz federal Sérgio Moro reafirmou que pode “eventualmente” ter errado no levantamento do sigilo dos grampos que pegaram o petista e sua sucessora, Dilma, em conversas pelo telefone em março de 2016. Na ocasião, Lula já era alvo de investigação da Operação Alethea desdobramento da Lava Jato que o conduziu coercitivamente para depor na Polícia Federal.

Os grampos pegaram Lula e Dilma acertando a nomeação do ex-presidente para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil com o objetivo de conferir ao petista foro privilegiado, livrando-o das mãos de Moro. Na época, em ofício ao então relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavaski – morto em janeiro -, o juiz Moro já havia admitido a falha e pediu “escusas” à Corte máxima. Ele negou ter agido sob motivação política.

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