José Nêumanne Pinto
Direto ao Assunto

Por José Nêumanne Pinto

Política

24 de julho de 2020 - 16:04

Atualizado em 24 de julho de 2020 - 16:04

Lula, Serra e a Qualicorp

Júnior, acusado de financiar caixa 2 do senador tucano com R$ 5 milhões, é citado na delação de Palocci como financiador do PT

José Nêumanne Pinto
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Jornalista do Estadão, comentarista da TV Gazeta e da Rádio Eldorado, poeta e escritor. Viver é minha arte e liberdade é meu ofício.

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Lula, Serra e a Qualicorp
Qualicorp: empresa administra planos de saúde (Foto: Divulgação)

José Seripieri Junior, fundador da Qualicorp, corretora de planos e seguros de saúde, foi preso temporariamente por ordem da Justiça Eleitoral de São Paulo, na Operação Paralelo, por ter financiado, através de caixa dois, R$ 5 milhões para a campanha de José Serra, ao Senado em 2014.


Do PSDB ao PT, Júnior foi generoso e aplicado amigo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2014, sua empresa, a  Qualicorp, assumiu a gestão do plano de saúde dos funcionários da Petrobras, 250.000 funcionários, sem licitação, claro. Antônio Palocci, em delação premiada, afirmou que ele teria indicado um diretor da empresa para a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), autarquia que controla os planos de saúde.


Com isso, a Qualicorp estruturou as resoluções 195 e 196, obrigando a venda dos planos de saúde com corretagem, proibindo as operadoras do ramo de fazerem corretagem e permitindo planos coletivos em sistema de associação, para facilitar a venda. Resumindo, a empresa do financiador da campanha do expoente tucano ao Senado comprou a lei que lhe garantiu o monopólio do mercado de corretagem de seguros.

Em pagamento pelo favor, a Qualicorp atendeu a todos os pedidos do PT de Lula. Doou R$ 4 milhões à campanha para reeleição de Dilma Roussef, fez aportes de propinas para as campanhas políticas do partido, para o Instituto Lula, para a empresa do Lulinha, Touchdown, e ainda pagou R$ 1 milhão para o advogado Celso Vilardi defender Rosemary Noronha, chefe do escritório da Presidência, em São Paulo, e dedicada amiga íntima do ex-sindicalista. Ainda segundo a delação de Palocci, Júnior se relacionava diretamente com o chefão petista, que frequentava seu condomínio de luxo em Angra e viajava para cima e para baixo no helicóptero da Qualicorp.


As delações de Palocci trouxeram para a superfície a organização criminosa (Orcrim) que comandava o país. Palocci descreveu, deu a dimensão e a mecânica do seu funcionamento. Diferente de outros regimes em que a lei é alterada para servir aos objetivos do partido, o governo petista atuava fora da lei, em conluio com o setor privado e com os gestores públicos e nesse processo todos terminavam levando seu pedaço.


A Orcrim, composta por autoridades do Executivo, dirigentes de estatais e empresários, todos com tarefas bem definidas, operava nos bastidores de maneira planejada para assaltar o País, financiar compra de votos e assegurar a permanência no poder do partido e da própria organização. E assim continuar roubando, e enriquecendo. 


Na delação  de Palocci na Greenfield, a Lava Jato de Brasília, nem o dinheiro dos trabalhadores escapou da corrupção. Palocci delatou o esquema gigantesco escondido, pilotado pelos presidentes dos fundos de pensão, Sérgio Rosa, da Previ, Wagner Pinheiro, da Petros, e Guilherme Lacerda, da Funcef, ex-sindicalistas e fundadores do PT, que  desviaram recursos dos trabalhadores para a perpetuação do partido no poder. 

Foi montada a maior organização criminosa de que se tem notícia nesta desvalida Pindorama. Deu no que deu. Unus pro omnibus, omnes pro uno para assaltar o país.
·        Jornalista, poeta e escritor