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Você conhece as lendas urbanas de Curitiba? O RIC Mais vai te contar algumas

A primeira da série é bem conhecida de muitos curitibanos, a loira fantasma; mas será que essa história existiu mesmo?

Giselle
Giselle Ulbrich
Você conhece as lendas urbanas de Curitiba? O RIC Mais vai te contar algumas
Foto: Luiz Costa/SMCS (arquivo)

13 de agosto de 2021 - 08:00 - Atualizado em 15 de outubro de 2021 - 14:56

Sexta-feira 13, em pleno agosto, que dizem ser o mês do cachorro louco. Claro que o RIC Mais não poderia deixar de “comemorar” essa data tão horripilante. E a forma que encontramos foi selecionando três pessoas que se dedicam a contar as lendas urbanas de Curitiba. Vamos mostrar a relação destas pessoas com as lendas e, claro, contar as histórias mais assustadoras que já cruzaram os calçadões da capital paranaense.

Mas antes de contar as lendas, você sabe qual é a origem das lendas urbanas? Se elas existiram de verdade em algum momento André “Bodão” Marcos, especialista em História do Brasil, professor do Colégio Positivo e assessor pedagógico no Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP), do Grupo Positivo.

Ele diz que é necessário voltar no tempo, lá para a Idade Média, para responder a pergunta. Esta é a época – séculos XV e XVI – em que se começa a fundir o mundo rural com o mundo urbano e muitas coisas do anedotário camponês começam a entrar na ideia de urbanidade. “Então é quase impossível estabelecer que alguma lenda urbana tenha sido baseada num fato real”, diz Bodão.

Para exemplificar, ele usa uma lenda forte da história, como a do vampiro. Há uma série de doenças até então inexplicáveis na época – a porfiria é uma delas (doença causada por defeito na produção de hemoglobina no sangue que pode trazer lesões na pele, anemia, crescimento de pelos no rosto, sensibilidade à luz, etc.) – que acabava gerando situações e “batizando” os doentes de porfiria de vampiros pois, em geral, eram pessoas que tinham sensibilidade extrema à luz, algumas tinham dentes mais avermelhados, etc. Então é algo impossível historicamente de comprar que a lenda urbana tem comprovação real”, diz o professor.

Pensando em Brasil, ele ressalta que há um anedotário muito grande de lendas, fruto da mistura de culturas, como a africana, a indígena, a europeia (representada pelos portugueses). Desta forma, surgiram muitas histórias envolvendo a mistura de culturas.

“Mas nada comprovado. Não existe nenhuma lenda urbana comprovada. Como o gato preto que dá azar, a loira do banheiro … a própria sexta-feira (13) é controvertida. Alguns historiadores colocam que a data ficou marcada assim, com dia de azar, por ser o dia em que os templários (monges guerreiros, de uma ordem religiosa dedicada à “guerra santa”) foram executados. Se voltarmos ao período greco-romano, pode ter sido algum deus que se desentendeu lá numa sexta 13. Portanto, lendas urbanas não possuem qualquer tipo de comprovação”, analisa Bodão.

Mas será mesmo que não tem comprovação? Há quem diga que elas “quase” existiram.

Pra começar, fomos conversar com o Edilson Pereira, jornalista “das antigas”, da época das máquinas de escrever nas redações de jornais. Ele relatou uma das lendas mais conhecidas de Curitiba, a da “Loira Fantasma”, que assombrou os taxistas da capital na década de 70. Até um livro ele dedicou à “loirassa”.

Do factual ao “marginal”

Edilson trabalhava muito com as notícias de política, o factual de todo dia. Ninguém arriscava conversar com o sisudo editor de política, sempre carrancudo em sua mesa. Até que perto da aposentadoria, recebeu uma proposta: a de resgatar as histórias “paralelas” nas entranhas da cidade.

Edilson mergulhou de corpo e alma. E o cara sério da política viu aflorar talentos como escritor. Começou com folhetins das lendas que pesquisava, até que elas acabaram virando livros. Algumas obras são baseadas nas lendas curitibanas. Outras são histórias da cabeça de Edilson, todas com muitos mistérios, mulheres bonitas, sensualidade, polícia, política e crimes.

Bem, chega de “trololó” e vamos ao que interessa (à lenda). Depois o Edilson conta se a história é verdadeira ou não.

A Loira Fantasma

Era uma noite normal, como qualquer outra, quando um taxista de Curitiba, passando por um dos bairros da capital, viu uma loira acenando e pedindo uma corrida. Era uma loira linda, de cabelos compridos e cintilantes de tão claros, lábios carnudos, corpo escultural. Há quem diga ainda que era muito perfumada.

Que taxista ia deixar uma moça como aquela sozinha na rua, já tão tarde da noite? E assim, o motorista embarcava a moça e a levava ao destino solicitado: um dos cemitérios de Curitiba!

O destino não era usual para uma mulher, aquele horário. Mas era uma jovem tão linda que, no trajeto, o taxista deixava as estranhezas de lado e a observava pelo retrovisor, fitando o jeito elegante da mulher, que pelo que se sabe, ia ao cemitério visitar o namorado, morto pelo próprio marido dela.

Entorpecido pela beleza da jovem, ele a informou que estavam quase chegando ao destino. Assim que estacionou e falou o valor da corrida – mal daria tempo de abrir a porta e sair – a surpresa. Não havia mais ninguém no banco de trás do carro!

Assustado, o taxista olhava o banco de trás e os arredores fora do táxi. Não havia nenhum sinal de loira alguma por ali, de absolutamente ninguém. Já apavorado, parado na porta do cemitério, só cabia ao motorista sair correndo dali, antes que a “assombração” voltasse.

E essa história, dizem alguns, se repetiu com diversos taxistas da capital ao longo do tempo. É uma lenda que sofreu diversas variações e “passou” por vários cemitérios diferentes. Ora era no Abranches, ora no Cemitério São Francisco de Paula, no Alto São Francisco.

Mas… a lenda é real?

Edilson, que trabalhava num jornal da capital na época, conta que havia uma história parecida em São Paulo. Mas não era a loira fantasma do táxi, e sim, a loira fantasma do banheiro.

“Era um dia que as notícias estavam meio paradas. Não havia quase nada interessante a publicar no dia seguinte. O povo se reuniu na redação e pensou o que iam fazer para vender jornal. Decidiram então pegar a história da loira fantasma do banheiro, de São Paulo, e adaptar para o táxi”, contou Edilson.

E no dia seguinte, dá-lhe vender jornal.

“Pior (ou melhor) é que aconteceu uma coisa que ninguém esperava na redação. Começou a aparecer gente dizendo que viu a loira mesmo, em lugar tal, em dia tal. E não foi uma pessoa só, foram várias. E o que era lenda começou a virar uma quase verdade”, diverte-se Edilson.

Edilson Pereira e seu livro, a “Loira do Táxi Misteriosa”. Foto: Arquivo pessoal