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Líderes políticos rivais lutam por poder no Haiti após assassinato do presidente

Reuters
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10 de julho de 2021 - 15:53 - Atualizado em 10 de julho de 2021 - 15:53

Por Andre Paultre e Sarah Marsh

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) – Uma disputa por poder está ganhando força no Haiti porque o homem nomeado primeiro-ministro pouco antes do assassinato do presidente do país nesta semana disse que ele –e não o premiê interino– deveria liderar a nação e que está formando um governo para fazê-lo.

Ariel Henry, um neurocirurgião que foi nomeado primeiro-ministro pelo presidente Jovenel Moise na segunda-feira, dois dias antes de Moise ser assassinado por um esquadrão de homens armados em sua casa na capital, Porto Príncipe, disse que ele agora era a maior autoridade do Haiti, e não o primeiro-ministro interino Claude Joseph.

“Após o assassinato do presidente, eu me tornei a maior autoridade legal porque houve um decreto me nomeando”, disse Henry à Reuters em entrevista por telefone na sexta-feira.

Henry ainda não havia tomado posse para substituir Joseph no momento do assassinato, o que criou confusão sobre quem é o legítimo líder de 11 milhões de pessoas no Haiti, que divide a ilha de Hispaniola com a República Dominicana.

O ministro eleitoral Mathias Pierre afirmou que Joseph continuaria no cargo até a realização de novas eleições presidenciais e legislativas em 26 de setembro.

Henry afirmou que o novo governo que ele está formando, no entanto, criaria um novo conselho eleitoral –porque o anterior era considerado muito partidário– e que esse conselho determinaria uma nova data para as eleições.

A Constituição de 1987 do Haiti estipula que o líder da Suprema Corte deve assumir como presidente interino, mas emendas que não são reconhecidas por todos dizem que seria o primeiro-ministro ou, no último ano do mandato do presidente –como no caso de Moise– o Parlamento deveria eleger um presidente.

Para complicar ainda mais a situação, o líder da Suprema Corte morreu mês passado após contrair Covid-19, em meio a um surto de infecções em um dos poucos países do mundo que ainda não começou uma campanha de vacinação.

Também não há um Parlamento eleito porque as eleições legislativas marcadas para o fim de 2019 foram adiadas por distúrbios políticos.

(Reportagem de André Paultre em Porto Príncipe, Sarah Marsh em Havana e Julia Symmes Cobb em Bogotá)

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