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MP-PR oferece denúncia contra motorista que mataram universitária durante racha em Curitiba

Caroline Beatriz Olímpio foi atropelada quando atravessava a rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza

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Caroline Berticelli / Editora
MP-PR oferece denúncia contra motorista que mataram universitária durante racha em Curitiba
CAROLINE ESTUDAVA ARQUITETURA E URBANISMO NA UTFPR. (FOTO: REPRODUÇÃO/RIC RECORD TV)

23 de março de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:50

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) aceitou a denúncia contra os dois motoristas responsáveis pela morte de Caroline Beatriz Olímpio, de 19 anos, na última sexta-feira (20). A vítima foi atropelada no dia 12 de março, quando ambos disputavam um racha na rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, em frente à Universidade Positivo (UP), na Cidade Industrial de Curitiba

Fernando Rocha Fabiane, de 27 anos, e Nicholas Henrique de Castro, de 22 anos, foram indiciados por: 

  • homicídio qualificado pelo perigo de risco comum, ou seja, além de causarem a morte da vítima, colocaram outras pessoas que estavam na via em risco;
  • por participar de corrida, disputa ou competição automobilística em via pública. 

Nicholas também terá que responder por ter se ausentado do local do acidente e deixado de prestar socorro à vítima

Liberdade provisória

No mesmo documento, o promotor Marcelo Balzer Correia, concordou com o pedido de liberdade provisória, feito pelos advogados de defesa dos dois acusados, e sugeriu o pagamento de uma fiança de R$ 10 mil para cada um. Entre os motivos citados para a soltura estão o fato de ambos não possuírem antecedentes criminais, não serem pessoas perigosas e a pandemia de Covid-19, que segundo o responsável pelo processo, tem seu impacto junto ao sistema prisional ainda desconhecido. 

Os acusados também terão suas Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH) suspensas e precisarão cumprir as seguintes medidas cautelares:

  • entregar os passaportes à Justiça;
  • comparecimento periódico em juízo no prazo e nas condições a serem fixadas;
  • proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado permanecer distante desse locais para evitar o risco de novas infrações;
  • proibição de ausentar-se de suas residências de permanência, sem a devida comunicação prévia ao juízo;
  • recolhimento domiciliar no período noturno, principalmente em finais de semana e feriados.

O próximo passo do processo é a Justiça concordar ou não com a denúncia.

O atropelamento

Caroline e uma amiga atravessavam a via quando a vítima foi atingida pelo veículo conduzido por Fernando. Com a força do impacto, a jovem foi arremessada a várias metros de distância e morreu na hora.

Fernando esperou pela chegada dos policiais e foi detido ainda no local. Já Nicholas fugiu e se apresentou horas depois na Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), juntamente com um advogado.

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As imagens do atropelamento são chocantes. (Foto: reprodução)

Os dois tiveram suas prisões preventivas decretadas e negaram que estavam disputando uma corrida no momento do acidente. No entanto, para o delegado Edgar Dias Santana, responsável pelo inquérito concluído no dia 19 de março, imagens de câmeras de segurança e o depoimento enfático de testemunhas não deixaram dúvidas de que os acusados praticavam um racha.

O que diz a defesa

Em nota, Thaise Mattar Assad, advogada de defesa de Fernando, declarou que no decorrer do processo, discordará tecnicamente da acusação de homicídio qualificado e que espera pela decisão do Juiz da Segunda Vara do Júri de Curitiba sobre a decisão de liberdade provisória. Leia na íntegra:

“A defesa de Fernando Rocha Fabiani, requereu que fosse assegurado ao acusado o direito de responder o processo em liberdade.
Ao ofertar denúncia, por homicídio qualificado, com dolo eventual entre mais dispositivos do Código de Trânsito, o Promotor de Justiça Marcelo Balzer Correia, opinou favoravelmente a concessão do pedido de liberdade formulado pela defesa.
O pedido, seguirá para apreciação do Juiz da Segunda Vara do Júri de Curitiba, que decidirá.
A defesa nada tem a opor quanto as condições da eventual liberdade.
A advogada de defesa, Thaise Mattar Assad, quanto as imputações da denúncia, declara que, no decorrer do processo, discordará tecnicamente por entender que é caso de desclassificação para homicídio culposo”