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Justiça manda mineradora de Piraquara interromper atividades, por poluir rios que abastecem Curitiba

Mineradora estava jogando rejeitos de areia no Rio Piraquara, que dependendo da quantidade, pode paralisar as atividades em duas estações de tratamento e paralisar o abastecimento para quase 2 milhões de pessoas

Giselle
Giselle Ulbrich
Justiça manda mineradora de Piraquara interromper atividades, por poluir rios que abastecem Curitiba
Barragem do Iraí está com índice de 35,8% (Foto: Divulgação / Sanepar)

6 de abril de 2021 - 22:16 - Atualizado em 6 de abril de 2021 - 22:16

Lembra-se de duas interrupções no abastecimento de água na grande Curitiba, ano passado e este ano, causadas por poluição nos rios que abastecem a região? A Sanepar, junto com a polícia, não só identificou qual foi a empresa que causou as poluições, a JF Mineradora, situada em Piraquara, como também conseguiu de forma liminar na Justiça a interrupção das atividades da empresa.

Uma das interrupções no abastecimento da grande Curitiba ocorreu no dia 18 de setembro do ano passado. A Sanepar detectou alta turbidez na água que estava chegando à Estação de Tratamento de Água (ETA) do Iraí. O material parecia algo detergente – porém não foi identificado no momento do que se tratava – e interrompeu os trabalhos na ETA por 18 horas. Como a ETA tem sistemas que vão analisando a água antes de chegar à estação, em si, a água suja não chegou a nenhum imóvel. Porém houve a interrupção do abastecimento, já que a estação não estava tratando água.

Investigação policial

Nesta época, a Sanepar acionou a Secretaria Estadual de Segurança Pública, para que as Polícias Civil e Militar ajudassem a origem da poluição. Identificada a JF Mineradora e aplicada multa de R$ 100 mil, verificou-se que ela já tinha sido autuada no ano anterior, em julho de 2019, pelo Instituto Água e Terra (IAT), pelo mesmo problema, o descarte dos rejeitos da lavagem da areia. Isso gerou multa de R$ 50 mil na época e impugnação de descarte de rejeitos de areia pela JF no Rio Piraquara.

Em 02 de março deste ano, a ETA do Iraí passou por nova interrupção, pelo mesmo problema, e com a mesma empresa. A liminar ressalta que a empresa está lançando os seus rejeitos em Área de Preservação Ambiental (APA), avançando em áreas as quais não foi permitida explorar, já que deveria lançar os seus rejeitos em circuito fechado, em local determinado, para não prejudicar a integridade ambiental.

A Sanepar se manifestou nos autos, dizendo o seguinte:

estamos em um momento desafiador em relação à quantidade de água disponível para o abastecimento da população, com emergência hídrica decretada pelo Governo do Estado, e a perda de água por contaminação torna o cenário ainda mais crítico. É importante ressaltar a preocupação da Sanepar em relação a essa situação por 2 aspectos: a ligação da ETA Iraí com a ETA Iguacu, através do ‘canal de água limpa’, o qual é afetado pela poluição do areal e o aumento de porte do areal. A poluição do rio Piraquara pelos rejeitos do areal pode afetar, além da ETA Iraí que está próxima, a ETA Iguaçu, maior Estação de Tratamento de Água de Curitiba e região. Dependendo da magnitude de um evento futuro podemos ter 2 estações de água paralisadas. Seria algo de impacto jamais visto até o momento. A população afetada seria de cerca de 1,9 milhões de habitantes

Diante de três descumprimentos sucessivos das autorizações que possui, o juiz Pedro de Alcântara Soares Bicudo, da Vara Cível de Piraquara, decidiu por cancelar a licença de operação da JF Mineradora, além de condená-la a desfazer qualquer operação que tenha feito, avançando suas operações de exploração de areia em áreas não autorizadas, como constatou a fiscalização. Cabe recurso.

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