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Justiça decreta sigilo em processo que apura morte de escrivã e filha, assassinadas por delegado em Curitiba

Lucas
Lucas Sarzi
Justiça decreta sigilo em processo que apura morte de escrivã e filha, assassinadas por delegado em Curitiba
Foto: RIC Mais/Montagem

30 de março de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:49

A Justiça decretou, nesta segunda-feira (30), sigilo absoluto nos autos do processo que apura a morte da escrivã de polícia Maritza Guimarães de Souza, de 41 anos, e a filha Ana Carolina de Souza, de 16. O crime aconteceu no dia 4 de março, na casa em que a família morava, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. O delegado Erick Busetti, que confessou ter atirado contra as duas, segue preso.

Em nota, a defesa de Erick disse que “recebe a decisão da Justiça como uma prova cristalina da preocupação no esclarecimento dos fatos e motivações que levaram a tamanha tragédia”.

Ainda conforme a nota da defesa, a Justiça atendeu a um pedido feito pelo advogado que representa o delegado, Cláudio Dalledone Jr, “que entre tantas preocupações, mantém a fiel e leal cautela com a memória e intimidade das vítimas e do acusado, assim como o bem estar emocional e social da filha mais nova do casal, que hoje com 9 anos de idade, perdeu a mãe, a irmã e o pai de uma só vez”, diz a nota.

Conforme o advogado de Erick Busetti, a intenção é trabalhar ao lado da Justiça para esclarecer os fatos. “E trazer algum aprendizado a sociedade, em especial as autoridades. Protegeremos, acima de tudo, a memória das vítimas, o amplo direito de defesa do réu e, principalmente, o bem estar emocional de uma criança que muito perdeu, para não dizer que praticamente tudo se foi”, diz Cláudio Dalledone Jr.

Procurada, a advogada Louise Mattar Assad, que representa a família de Maritza, informou que teve acesso ao processo somente nesta segunda-feira. Ela ainda deve se manifestar sobre a decisão da Justiça.

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Mãe e filha foram mortas pelo delegado na sala da casa.(Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Relembre o crime

Maritza e Ana Carolina foram mortas em casa e foram encontradas abraçadas atrás de um sofá da sala do sobrado em que a família vivia. Conforme as investigações, o delegado matou a esposa e a enteada com cerca de 9 tiros. A casa, que foi palco da tragédia, segundo uma prima de Maritza, era o único motivo pelo qual os dois ainda dividiam o mesmo teto, pois já estariam separados há pelo menos um ano, conforme familiares.

Com o inquérito concluído, a Polícia Civil informou que o crime foi todo registrado por câmeras de segurança, já que a casa era toda monitorada. As imagens, inclusive, ajudaram a esclarecer a dinâmica de como tudo aconteceu, assim como a fundamentar o inquérito policial. Dois fatos importantes chamaram a atenção: o casal discutiu por cerca de 3h e Ana Carolina foi agredida pelo delegado antes de ser morta.

Segundo laudo, do Instituto Médico-Legal, Maritza foi morta com sete disparos de arma de fogo e a filha Ana Carolina com seis. As duas foram enterradas em Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná. Enquanto o enterro era realizado, a Justiça determinou, em Curitiba, pela prisão preventiva do delegado Erik Busetti, que segue preso desde então.