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Justiça decreta prisão preventiva de seis réus envolvidos no caso Daniel

Redação RIC Mais
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29 de novembro de 2018 - 00:00 - Atualizado em 29 de novembro de 2018 - 00:00

O jogador Daniel foi assassinado no final de outubro de 2018, após uma festa de aniversário (Foto: Reprodução/Twitter)

Todos já estão detidos, mas cumpriam prisão temporário com validade de 30 dias; ao todo, sete pessoas foram denunciadas

Os seis acusados por envolvimento com o assassinado do jogador Daniel Corrêa, de 24 anos, tiveram suas prisões preventivas decretadas pela Justiça nesta quinta-feira (29). Todos já estão presos, mas cumpriam prisão temporário com validade de 30 dias.

Na quarta-feira (28), a Justiça já havia aceitado a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) contra sete pessoas. Uma delas, Evellyn Brisola, não está presa. Ela responde por denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de menor e falso testemunho e não chegou a ser denunciada no inquérito da Polícia Civil onde constava apenas como testemunha.

As principais diferenças entre o entendimento do MP-PR e o inquérito da Polícia Civil foram que:

Cristiana Brittes passou a responder também por homicídio qualificado por motivo torpe após análise do Ministério Público;

Evellyn Brisola de testemunha passou a ser indiciada por denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho;

Eduardo Purkote Chiuratto que deveria responder por lesões corporais graves, e chegou a ser preso e denunciado pela Polícia Civil ao Ministério Público, não foi indiciado pelo MP-PR.

Confira os crimes pelos quais os réus do Caso Daniel irão responder:

A Justiça já aceitou as acusações contra os indiciados pelo MP-PR. (Infográfico: Luana Silverio) 

Edison Brittes (38 anos): homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor e e coação no curso do processo;

Cristiana Brittes (35 anos): homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor;

Allana Brites (18 anos): coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de menor;

Eduardo da Silva (19 anos): homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;

Ygor King (19 anos): homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;

David Willian da Silva (18 anos): homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e denunciação caluniosa;

Evellyn Brisola (19 anos): denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de menor e falso testemunho.

Relembre o caso Daniel

O corpo do jogador Daniel foi localizado no dia 27 de outubro de 2018, na Colônia Mergulhão, na zona rural de São José dos Pinhais, depois que um morador da região viu marcas de sangue no chão em uma estrada e seguiu o rastro até o corpo do jovem. Ele estava vestido apenas com uma camiseta, com sinais de tortura, com o pênis decepado e com cortes profundos no pescoço, a ponto de quase ter sido degolado.

Daniel, que jogou pelo Coritiba em 2017, teria aproveitado o fim de semana para visitar amigos na capital do Paraná e participar da festa de 18 anos de Allana.

No dia 31 de outubro, quatro dias após o crime, a primeira pessoa envolvida com o assassinato foi presa. Cristiana Brittes foi detida pela polícia enquanto estava a caminho do escritório de um advogado. No dia seguinte, 30 de outubro, Edison Brittes e Alanna Brittes se apresentaram na Delegacia da Polícia Civil em São José dos Pinhais. A polícia chegou até eles depois que uma testemunha-chave contou tudo o que sabia sobre o caso. Essa pessoa esteve na casa onde Daniel foi espancado e de onde foi levado, dentro do porta-malas de um veículo, para o local onde foi morto.

Na sequência foram presos David Willian da Silva, Ygor King e Eduardo Henrique da Silva. Os três agrediram o jogador dentro da residência dos Brittes e auxiliaram no assassinato. Em depoimento, todos afirmaram que não ajudaram a assassinar Daniel, mas que seguiram junto com Edison no veículo até a Colônia Mergulhão.

Durante as investigações, os detalhes dos depoimentos chocaram até os policiais acostumados com crimes: Eduardo revelou que Edison já saiu da casa com a intenção de extirpar o órgão sexual do jogadorl. David também contou detalhes perturbadores, ele admitiu que comprou roupas para Edison trocar as que usava quando assassinou Daniel e que chegou a ouvir o jogador engasgando com o próprio sangue enquanto era degolado.

Edison confessou o assassinato e disse que fez tudo porque Daniel tentou estuprar sua mulher. Para o delegado Trevisan, a tentativa de estupro nunca aconteceu. “Nós não acreditamos nessa hipótese de estupro. Não tem como provar. Acreditamos apenas que o rapaz tenha deitado ao lado dela [mulher de Edison], tenha tirado fotografia e tenha dito que tinha estuprado apenas para aparecer para os amigos. Enfim, coisa de pessoa imatura apenas. […] Acreditamos que tenha sido um momento de imaturidade de Daniel acompanhado de um gesto desproporcional”, afirmou ainda durante a entrevista ainda durante as investigações. No entanto, Trevisan confirma que a motivação do assassinato de Daniel foi ele ter sido flagrado por Edison, no quarto do casal Brittes, na cama com Cristiana.

Eduardo Purkote Chiurrato foi preso apenas depois que a polícia colheu os depoimentos de todos os suspeitos e testemunhas. Ele acabou detido porque aparece na versão de alguns deles como um dos agressores, dentro da casa dos Birttes, de Daniel.

Após o assassinato, Allana postou uma foto com Daniel em sua rede social com uma mensagem de luto e também entrou em contato com a mãe do jogador, Eliane Corrêa, e mentiu sobre o que teria ocorrido durante a pós-festa em sua casa. Além disso, o próprio Edison chegou a ligar para Eliane para dar os pêsames e oferecer auxílio.

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