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Juro longo fecha em baixa e curto fica estável

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Estadão Conteúdo

25 de junho de 2020 - 18:04 - Atualizado em 25 de junho de 2020 - 18:04

A quinta-feira de agenda local carregada terminou com juros em baixa, especialmente na parte longa e a curva devolveu o ganho de inclinação da véspera. Nas mesas de renda fixa, os profissionais não tinham explicação clara para o movimento, que ocorreu mesmo com o dólar tendo passado boa parte do dia em alta e uma piora da aversão ao risco mostrada pelo mercado de Treasuries. De fatores positivos, citaram alguma melhora no clima político e a aprovação do projeto do marco legal do saneamento ontem no Senado, além de questões técnicas relacionadas à reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) logo mais. Os curtos, a exemplo dos últimos dias, continuaram oscilando ao redor dos ajustes anteriores, sem que a comunicação do Banco Central via Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e entrevista do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o IPCA-15 de junho tenham alterado a divisão no quadro de apostas para a Selic em agosto.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021, que melhor reflete a percepção do mercado para as reuniões do Copom em 2020, fechou em 2,050%, de 2,049% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2022 terminou pela primeira vez abaixo de 3%, aos 2,97% (mínima histórica), de 3,072% ontem. As taxas dos DIs para janeiro de 2025 e janeiro de 2027 fecharam nas mínimas do dia, em 5,75% e 6,75%, de 5,943% e 6,933%, respectivamente ontem no ajuste.

O mercado de juros ignorou a volatilidade do câmbio e as preocupações com nova onda de covid-19 no exterior. Preferiu valorizar a aprovação do marco do saneamento e uma trégua no noticiário ruim da esfera política. “A aprovação era o cenário base, mas o placar foi ótimo”, disse a gestora de renda fixa da MAG Investimentos, Patricia Pereira. O projeto que abre caminho para concessões e privatizações na área de água e esgoto foi aprovado por 65 votos a 13 e alguns cálculos apontam estimativa de entrada de até R$ 700 bilhões e geração de 1 milhão de emprego nos próximos anos.

Na política, as novidades do dia foram a nomeação de Carlos Alberto Decotelli da Silva para o cargo de ministro da Educação no lugar de Abraham Weintraub. O novo ministro tem formação em Ciências Econômicas, é financista e professor. No caso de Fabrício Queiroz, a Justiça do Rio aceitou habeas corpus apresentado pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) para ele ser julgado pela segunda instância.

Um gestor também lembra que a queda das inflações implícitas, que estavam muito altas, pode ajudar a explicar o comportamento da ponta longa. “Hoje tem a reunião do CMN que define a meta de 2023. As implícitas longas estão caindo cerca de 15 bps. Há risco do BC sinalizar algo sobre a meta mais de longo prazo”, disse. A continuar no que tem sido o padrão recente, a meta para 2023 deve ficar em 3,25%, segundo apurou o Projeções Broadcast.

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