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Caroline Berticelli / Editora com informações da The Guardian

29 de maio de 2020 - 00:00

Atualizado em 29 de maio de 2020 - 00:00

Internacionais

Jovem de 14 anos é decapitada pelo pai enquanto dormia por ter fugido com o namorado

Romina Ashrafi foi morta por ter ‘maculado a honra de sua família’; o pai foi preso

Jovem de 14 anos é decapitada pelo pai enquanto dormia por ter fugido com o namorado
Foto: Reprodução/The Guardian

Uma jovem foi decapitada pelo próprio pai enquanto dormia, no dia 21 de maio, por ter fugido com seu namorado no condado de Talesh, no Irã, 

De acordo com o jornal The Guardian, Romina Ashrafi, de 14 anos, escapou de casa com o homem de 29 anos, mas foi localizada pela polícia cinco dias depois.

Mesmo sob risco de ser morta em um “crime de honra”, ela foi conduzida novamente para a residência dos familiares e lá seu pai, Reza Ashrafi, tirou sua vida com uma foice agrícola

Nas sociedades tradicionais do Oriente Médio, incluindo o Irã, em vez de considerar que um adulto atraiu uma criança, a culpa pelas fugas normalmente recai sobre as jovens por ‘macularem’ a honra de sua família.

Não foi informado o que aconteceu com o homem com quem a adolescente fugiu. Já o pai de Romina foi preso, mas não está claro por qual crime responderá. 

A morte da garota foi amplamente coberta pela mídia iraniana em veículos reformistas, moderados e pró-governo.

Adolescente decapitada pelo pai causa revolta no país

O caso da garota que foi decapitada pelo pai causou revolta tanto dentro do Irã como internacionalmente. O presidente iraniano Hassan Rouhani pediu novas proteções para as mulheres e expressou “arrependimento” pela morte de Romina. Durante uma reunião de gabinete em Teerã, o mandatário “ordenou estudo e ratificação acelerados” de um projeto de lei que protege as mulheres contra a violência

A Anistia Internacional condenou o assassinato e pediu às autoridades que garantam total “responsabilização” pelo crime.

“Pedimos às autoridades e legisladores do Irã que acabem com a impunidade pela violência contra mulheres / meninas e criminalizem a violência doméstica. Eles devem alterar o Artigo 301 do Código Penal para garantir uma prestação de contas proporcional à gravidade do crime, sem recorrer à pena de morte, “A Anistia disse em comunicado no Twitter, quinta-feira.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o artigo 301 reduz medidas punitivas para os pais envolvidos nos chamados “assassinatos por honra“.