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Jornalistas da Record TV detidos na Venezuela chegam ao Brasil

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

13 de fevereiro de 2017 - 00:00 - Atualizado em 13 de fevereiro de 2017 - 00:00

O jornalista Leandro Stoliar concede entrevista ao Balanço Geral, após chegar da Venezuela (Foto: Reprodução/Facebook)

Repórter relata assédio moral, cárcere privado e terror psicológico durante episódio no exterior

Os dois jornalistas brasileiros da TV Record, detidos na Venezuela no sábado (11), desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na manhã desta segunda-feira (13).

Leandro Stoliar e Gilson Souza foram detidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), junto a dois ativistas venezuelanos, na cidade de Maracaibo, estado de Zulia, no noroeste da Venezuela, durante gravações para uma série de reportagens sobre denúncias de corrupção envolvendo financiamentos do BNDES, que favoreciam empreiteiras brasileiras, inclusive a Odebrecht, citada nas investigações da Operação Lava Jato.

Momentos de tensão

Em entrevista ao Balanço Geral, Stoliar descreveu o alívio que sentiu ao pisar em solo brasileiro.

“Quando a gente é preso em um país onde existe a ditadura e a polícia está acima da lei — e nós fomos presos pela polícia política — a gente acha que não vai sair mais”, afirmou o jornalista.

De acordo com o portal R7, a equipe de reportagem, que trabalhava para o Jornal da Record, ficou mais de 30 horas presa em uma sala do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin). Stoliar e Oliveira foram fichados, interrogados e passaram a ser observados a todo o tempo, inclusive quando iam ao banheiro. Não houve violência física, mas o terror psicológico foi constante.

“Assédio moral, cárcere privado, ficar sem comunicação, os policiais seguindo a gente até pra ir ao banheiro… A gente foi tratado como criminoso quando, na verdade, estávamos fazendo apenas o nosso trabalho”, 

Desrespeito à democracia

O Itamaraty acompanhou o caso e acionou a embaixada e o consulado brasileiros em Caracas. Os jornalistas foram soltos na noite de domingo (12). Em nota, a Record TV afirmou que repudia este tipo de estratégia violenta e típica de regimes que desprezam a democracia para impedir o trabalho jornalístico. E reafirma  seu compromisso com a investigação conduzida em vários países. As reportagens serão exibidas numa série especial no Jornal da Record. 

Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) repudiou “veementemente” a ação do governo venezuelano em nota. “Tal decisão é abominável e digna apenas de regimes ditatoriais que não aceitam o livre exercício da imprensa e temem a verdade”, afirma o comunicado. Segundo a Abratel, todo o equipamento e o material jornalístico produzido pela equipe foram apreendidos.

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