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‘Capital Ecológica’, ‘Lixo que não é Lixo’, ‘Família Folha’: Jaime Lerner transforma e deixa legado para Curitiba

Na área política, Jaime Lerner realizou projetos de sustentabilidade que são reconhecidos até hoje por curitibanos

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da repórter Luciana Prieto
‘Capital Ecológica’, ‘Lixo que não é Lixo’, ‘Família Folha’: Jaime Lerner transforma e deixa legado para Curitiba
(FOTO: DIVULGAÇÃO)

27 de maio de 2021 - 11:12 - Atualizado em 27 de maio de 2021 - 11:13

A história de Jaime Lerner, que faleceu na madrugada desta quinta-feira (27), aos 83 anos, ficará marcada por colocar o Brasil no mapa-múndi do urbanismo. Porém, muito além de projetos revolucionários, a trajetória do arquiteto e urbanista também é marcada por mais de três décadas de dedicação à política. Eleito prefeito de Curitiba por três vezes, em 1971, 1979 e 1989, e governador do Paraná em 1995 e 1999, Lerner deixa um legado extenso, com reconhecimento internacional.

Nascido na capital curitibana em dezembro de 1937 e formado pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1964, Jaime Lerner tornou-se um dos mais jovens políticos a assumir a prefeitura de Curitiba, aos 34 anos, no ano de 1971. Durante sua primeira gestão, consolidou importantes transformações na cidade, implementando o que seria um de seus principais feitos: o Sistema Integrado de Transporte Coletivo. O BRT, sigla para Bus Rapid Transit, instalou canaletas para o trânsito exclusivo de ônibus e terminais integrados por toda a cidade, em 1974, tendo seu modelo replicado por diversos países nos anos seguintes e listado como um dos 50 projetos mais influentes do mundo dos últimos 50 anos.

Nas duas gestões que se seguiram, 1979-83 e 1989-92, o arquiteto e urbanista intensificou programas na área social, fazendo de Curitiba cidade referência no que dizia respeito a índices de qualidade de vida. Além disso, suas gestões ficaram marcadas pelo investimento na preservação e ampliação de áreas verdes, como o Jardim Botânico e a Ópera de Arame, além do fechamento da Rua XV para carros, ainda em 1972.

Em sua última gestão como prefeito de Curitiba, voltou os olhos para questões ambientais e foi aí que Curitiba se tornou, então, a famosa “Capital Ecológica do Brasil”, conhecida mundialmente por suas soluções sustentáveis. Visando diminuir a poluição ambiental e dar um destino correto aos resíduos produzidos na cidade criou o programa “Lixo que não é lixo” e ensinou a população a separar lixo orgânico e reciclável. A Família Folha virou o símbolo de uma cidade que se importava com seu futuro, valorizando a natureza, o homem e sua comunidade, integrando-os no processo de co-responsabilidade da gestão ambiental da cidade.

Governo do Estado

Após três mandatos como prefeito de Curitiba, assumiu o cargo de governador do Estado do Paraná em 1994, sendo reeleito nas eleições seguintes, em 1998. Os oito anos de gestão estadual ficaram marcados pelo desenho do plano do Anel de Integração, que possibilitou a empresas privadas a concessão de reformas nas principais rodovias do estado e também pelo forte apelo a industrialização.  

Usando a experiência que adquiriu ao comandar a prefeitura de Curitiba, políticas bem-sucedidas foram replicadas por todo estado. Lerner preocupou-se em resolver questões importantes como transporte, educação, saúde, saneamento, lazer, sustentabilidade e uso do solo. Além disso, com uma forte política de atração de investimentos, o Paraná também se tornou um importante pólo industrial do Brasil, contabilizando investimentos que somaram cerca de US$20 bilhões, entre os anos de 1995 e 2001. 

A formulação e viabilização dessas ideias promoveram uma das maiores transformações da história do estado, contemplando principalmente os âmbitos econômicos e sociais. Fatos que garantiram ao Paraná o prêmio Criança e Paz da Unicef, para os programas “Da Rua para a Escola”, “Protegendo a Vida” e “Universidade do Professor”.

Com o fim da carreira política Lerner passou a dedicar-se exclusivamente ao ofício da arquitetura e urbanismo. Em julho de 2002, foi eleito presidente da União Internacional de Arquitetos (UIA) e em abril de 2003 fundou a Jaime Lerner Arquitetos Associados, onde produziu parte importante de seu legado final. A empresa tem como principal objetivo construir, através de importantes parcerias com atores locais, ideias e soluções que possam ser detalhadas e implementadas pelas gestões das cidades. Lerner também foi urbanista e consultor das Nações Unidas para assuntos de urbanismo.

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