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Reino Unido pode estar sendo muito lento contra Covid-19, diz conselheiro do governo

Reuters
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26 de setembro de 2020 - 16:05 - Atualizado em 26 de setembro de 2020 - 16:05

LODNRES (Reuters) – O Reino Unido pode estar agindo muito lentamente para lidar com o forte aumento nos casos de Covid-19 por conta da defasagem entre o número de casos e o número de mortes, disse um conselheiro do governo neste sábado.

Graham Medley, professor do Centro de Modelagem Matemática de Doenças Infecciosas, disse temer que o país possa acabar ocupando uma posição que tentou evitar.

“A minha preocupação é a defasagem, é o fato de acabarmos numa posição que não pretendíamos, nem governo nem população… porque os números de mortes neste momento parecem muito baixos, ainda que, como cientistas, digamos que as infecções estão aumentando”, disse ele à rádio BBC.

“E, infelizmente, essa defasagem faz com que não tenhamos ações rápidas o suficiente”, disse Medley, que pertence ao Grupo Consultivo Científico para Emergências (SAGE), que assessora o governo.

O primeiro-ministro Boris Johnson impôs restrições mais duras na semana passada para tentar conter a disseminação do vírus, aconselhando as pessoas a trabalharem em casa se puderem e ordenando que bares e restaurantes fechem mais cedo.

Alguns políticos questionaram se essas medidas são suficientemente efetivas, com a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, dizendo às famílias que também não devem se aglomerar dentro de casa. O Reino Unido demorou a impor sua primeira quarentena em março.

Medley disse que o SAGE não discutiu o eventual impacto que um fechamento antecipado de serviços poderia ter representado sobre as taxas de infecção.

O Reino Unido já tem o maior número de mortos por Covid-19 na Europa, com 41.936 fatalidades. Enquanto cerca de 900 pessoas morriam por dia no pico da pandemia em abril, as taxas de mortalidade atuais estão em torno de 30.

O Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido disse na sexta-feira que os novos casos dispararam para cerca de 9.600 por dia na semana que acabou no dia 19 de setembro, ante cerca de 6.000 registrados na semana anterior.

Medley disse que isso significa que as mortes devem aumentar em três a quatro semanas para cerca de 100 por dia.

“E as medidas que tomamos agora não vão impedir que 100 pessoas morram por dia, mas vão impedir que isso progrida muito mais”, disse ele.

(Por Kate Holton)