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Protejam a natureza ou enfrentem pandemias mais graves do que a Covid-19, alertam cientistas

Reuters
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Protejam a natureza ou enfrentem pandemias mais graves do que a Covid-19, alertam cientistas
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29 de outubro de 2020 - 13:33 - Atualizado em 29 de outubro de 2020 - 13:36

Por Matthew Green

LONDRES (Reuters) – Pandemias vão surgir com mais frequência, se espalhar mais rapidamente, provocar mais gastos e matar mais pessoas do que a Covid-19 se não houver uma ação ousada para interromper a destruição da natureza que ajuda os vírus a saltar da vida selvagem para os humanos, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira.

A pesquisa sugere que medidas para proteger as florestas tropicais e outros ecossistemas ricos, de forma a desacelerar as mudanças climáticas e salvar espécies de animais, pássaros e plantas, também podem prevenir pandemias.

“Acontece que, ao fazer algo sobre as pandemias, também estamos fazendo algo sobre as mudanças climáticas e a biodiversidade, e isso é bom”, disse à Reuters Peter Daszak, zoólogo que liderou o estudo com 22 especialistas internacionais.

O grupo descobriu que cerca de metade dos estimados 1,7 milhão de vírus ainda não descobertos na natureza pode infectar humanos.

Atividades como comércio de animais selvagens, caça ou a derrubada de florestas para produção agropecuária podem aproximar humanos e agentes patogênicos.

Os cientistas dizem que a Covid-19 provavelmente se originou em morcegos e começou a se espalhar entre humanos em um mercado na China.

A prevenção seria 100 vezes mais barata do que o custo de responder a pandemias, mas os governos ainda dependem principalmente de medidas reativas, como vacinas, concluiu o relatório. O estudo pediu uma maior colaboração internacional para reduzir os riscos.

O custo global provocado pelo Covid-19 foi estimado em algo entre 8 trilhões e 16 trilhões de dólares em julho. O custo somente nos Estados Unidos pode chegar a 16 trilhões de dólares até o final do próximo ano, segundo a pesquisa.

O estudo foi produzido por um grupo apoiado pelo setor público, a Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, que tem mais de 130 países-membros.

Especialistas que não estavam envolvidos na pesquisa endossaram as conclusões. John Spicer, zoólogo marinho da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, elogiou o enfoque em pandemias, biodiversidade e clima.

“Mudança transformativa é o que é necessário e é isso que o relatório apresenta”, disse Spicer.

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