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Negociador-chefe da UE se diz “firme” e “determinado” a obter acordo do Brexit

Reuters
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23 de setembro de 2020 - 10:48 - Atualizado em 23 de setembro de 2020 - 10:51

Por Guy Faulconbridge e John Chalmers

LONDRES/BRUXELAS (Reuters) – A União Europeia está determinada a firmar um acordo comercial pós-Brexit com o Reino Unido, mas será firme e realista com Londres agora que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, decidiu violar o acordo de separação, disse seu negociador-chefe, Michel Barnier, nesta quarta-feira.

O Reino Unido deixou a UE em janeiro, mas continua como membro, a não ser nominalmente, até o final do ano, e a esta altura espera ter acertado um acordo de livre comércio com o bloco.

As conversas travaram nos tópicos da pesca, das regras para o auxílio estatal e da configuração do fluxo comercial com a Irlanda do Norte, que em respeito ao pacto de desfiliação deste ano continuará em uma órbita mais próxima da UE do que o restante do Reino Unido.

Depois que Johnson apresentou um projeto de lei que desconsideraria partes do acordo de 2020, a UE exigiu que ele recuasse do precipício, mas na terça-feira o Parlamento aceitou dar ao premiê os poderes que precisa para miná-lo.

O bloco poderia adotar medidas legais contra a violação proposta da lei internacional, mas isto poderia exigir anos para ser resolvido. Neste meio tempo, diplomatas da UE dizem que Bruxelas quer que as negociações sobre seu relacionamento futuro com o Reino Unido continuem.

Ao chegar a Londres para realizar conversas informais com o governo britânico e ser indagado pela Reuters se está otimista com um acordo, Barnier respondeu: “estou determinado”.

“Continuamos calmos, respeitosos, realistas e firmes”, disse Barnier, mas não quis comentar o Projeto de Lei do Mercado Interno nem a probabilidade de se conseguir um acordo comercial.

O Reino Unido disse que espera nunca precisar usar os poderes propostos, mas o cronograma de votação do Projeto de Lei do Mercado Interno no Parlamento britânico exigirá a maior parte de outubro e de novembro para sua análise.

Isto significa que ele não será sancionado antes de um prazo de final de setembro da UE para a retirada do plano ou do prazo de 15 de outubro de Johnson para um acordo com o bloco.

“O cronograma para a passagem do projeto de lei cria um espaço bem-vindo para um engajamento construtivo sobre as preocupações expressas pelo Reino Unido”, disse um diplomata graduado da UE.

A ausência de um acordo criaria incerteza a respeito do comércio, de autopeças e crustáceos até dados e uísque escocês, e afugentaria os mercados financeiros no momento em que as economias europeias lutam com uma segunda onda do surto de Covid-19.