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Mulheres entre 40 e 50 anos que sobrevivem à Covid têm mais risco de problemas persistentes, dizem estudos

Reuters
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Mulheres entre 40 e 50 anos que sobrevivem à Covid têm mais risco de problemas persistentes, dizem estudos
Pacientes lotam sala de emergência de hospital de Porto Alegre em meio a forte disseminação da Covid-19

24 de março de 2021 - 14:20 - Atualizado em 24 de março de 2021 - 14:21

Por Kate Kelland

LONDRES (Reuters) – Mulheres na casa dos 40 e 50 anos parecem correr mais risco de problemas de longo prazo depois de terem alta de Covid-19, e muitas sofrem durante meses de sintomas persistentes, como fadiga, falta de ar e confusão mental, revelaram dois estudos britânicos nesta quarta-feira.

Um estudo descobriu que, cinco meses depois de deixarem o hospital, pacientes de Covid-19 que também eram de meia idade, brancas, mulheres e tinham outros problemas de saúde, como diabetes, doença pulmonar ou cardíaca, tendiam mais a relatar sintomas de Covid longa.

“Nosso estudo mostra que aqueles que tiveram os sintomas prolongados mais graves tendem a ser mulheres brancas de idades aproximadas de 40 a 60 anos que têm ao menos dois problemas de saúde de longo prazo”, disse Chris Brightling, professor de medicina respiratória da Universidade de Leicester que coliderou o estudo conhecido como PHOSP-Covid.

Um segundo estudo conduzido pelo Consórcio Internacional de Infecções Respiratórias Agudas e Emergentes (Isaric) conclui que mulheres de menos de 50 anos têm mais probabilidade de sofrer problemas de saúde de longo prazo piores do que homens e que participantes mais velhos do estudo, mesmo que não tenham problemas de saúde subjacentes.

“Está se tornando cada vez mais claro que a Covid-19 tem consequências profundas para aqueles que sobrevivem à doença”, disse Tom Drake, bolsista de pesquisa clínica da Universidade de Edimburgo que coliderou o estudo do Isaric.

“Descobrimos que mulheres mais jovens têm mais probabilidade de sofrer problemas de longo prazo piores.”

O estudo do Isaric, que cobriu 327 pacientes, descobriu que mulheres de menos de 50 anos têm o dobro da probabilidade de relatar fadiga, sete vezes mais probabilidade de ter falta de ar e também mais probabilidade de ter problemas relacionados à memória, mobilidade e comunicação.

O estudo PHOSP analisou 1.077 pacientes masculinos e femininos que tiveram alta de hospitais do Reino Unido entre março e novembro de 2020 depois de terem Covid-19.

A maioria dos pacientes relatou diversos sintomas persistentes depois de cinco meses, sendo os mais comuns dor nos músculos e nas juntas, fadiga, fraqueza, falta de ar e confusão mental.

Mais de um quarto deles teve o que os médicos disseram ser “sintomas clinicamente relevantes de ansiedade e depressão” depois de cinco meses, e 12% tiveram sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD).

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