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Human Rights Watch critica Buenos Aires por uso de reconhecimento facial em adolescentes

Reuters
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Human Rights Watch critica Buenos Aires por uso de reconhecimento facial em adolescentes
Monitor de câmera têrmica em estação de trem de Buenos Aires

9 de outubro de 2020 - 20:22 - Atualizado em 9 de outubro de 2020 - 20:26

Por Hugh Bronstein

BUENOS AIRES (Reuters) – A Human Rights Watch defendeu nesta sexta-feira que a cidade de Buenos Aires interrompa o uso de reconhecimento facial para identificar adolescentes acusados de cometer crimes.

A organização internacional não governamental Human Rights Watch (HRW), sediada em Nova York, afirmou que Buenos Aires começou a usar a tecnologia em abril de 2019, tornando a Argentina o único país do mundo a empregá-la contra pessoas menores de 18 anos.

Embora nenhum menor tenha sido preso ainda, o grupo diz que a metodologia está repleta de erros de identificação que podem limitar injustamente as oportunidades de emprego e educação para crianças acusadas erroneamente de roubo e outros crimes.

A HRW enviou uma carta à cidade e ao governo federal pedindo-lhes que parem de usar o reconhecimento facial em tempo real em estações de trem para identificar suspeitos, especialmente menores, argumentando que a tecnologia costuma cometer erros na identificação de crianças.

Questionada sobre as afirmações, a Prefeitura informou que o sistema de reconhecimento facial foi desenvolvido de acordo com as diretrizes de direitos humanos das Nações Unidas.

“Desde setembro de 2019, nenhum caso de mau funcionamento dessa tecnologia foi registrado”, disse em um comunicado.

HRW citou três casos de adultos argentinos que foram detidos por engano pela polícia devido a erros do sistema.

Usar o reconhecimento facial para identificar crianças suspeitas é especialmente problemático porque a aparência dos jovens pode mudar em questão de meses à medida que amadurecem, disse Hye Jung Han, pesquisadora de direitos da criança e tecnologia da HRW.

“Crianças acusadas de cometer um crime têm suas informações pessoais publicadas online, o que é contra a lei internacional e os padrões nacionais”, declarou Han.

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