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Governo Netanyahu pode estar próximo do fim após tratativas da oposição

Reuters
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30 de maio de 2021 - 13:01 - Atualizado em 30 de maio de 2021 - 13:01

Por Jeffrey Heller

JERUSALÉM (Reuters) – O político israelense de extrema direita Naftali Bennett fará uma declaração neste domingo na qual irá verbalizar um apoio crucial a um “governo de mudança” para destituir o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O líder da oposição Yair Lapid, que tem até a próxima quarta-feira para formar uma coalizão após a quarta eleição inconclusiva nos últimos dois anos, está próximo de concluir uma aliança entre partidos de direita, centro e esquerda, de acordo com a mídia israelense.

As chances de sucesso de Lapid residem em Bennett, um ex-ministro da defesa de 49 anos de idade cujo partido Yamina e suas seis cadeiras no parlamento são suficientes para dar a ele o status de fiel da balança.

Sob o futuro acordo de divisão de poder, Bennett substituiria Netanyahu, de 71 anos, no cargo de primeiro-ministro e, mais tarde, daria lugar a Lapid em um acordo rotativo.

Os diversos membros da nova coalizão teriam pouco em comum além da intenção de encerrar o mandato de Netanyahu que já dura 12 anos, o chefe de governo mais longevo de Israel, atualmente em julgamento por acusações de corrupção.

Bennett fará uma declaração às 20 horas no horário local (14 horas, horário de Brasília), de acordo com o Yamina. É esperado que ele anuncie sua aliança com Lapid, cujo partido, o Yesh Atid, de centro, ficou em segundo lugar, perdendo para o Likud de Netanyahu na eleição do dia 23 de março.

Após reunir-se com os congressistas do Yamina neste domingo, Bennett recebeu o apoio deles à intenção de se unir à coalizão, disse o partido em comunicado.

O site YNet de Israel revelou que Bennett disse aos correligionários que ele estaria “caminhando em direção a um governo de mudança”. Outros meios de comunicação o citaram dizendo que Netanyahu não tinha apoio suficiente para um governo de direita e que um acordo com Lapid evitaria uma quinta eleição nacional.

Uma coalizão anti-Netanyahu seria frágil e exigiria o apoio externo de membros árabes do parlamento que se opõem a uma grande parte da agenda de Bennett, que inclui mais construção de assentamentos na Cisjordânia ocupada e sua anexação parcial.

Espera-se que a coalizão se concentre na recuperação econômica da pandemia de Covid-19, deixando de lado as questões sobre as quais os membros discordam, como o papel da religião na sociedade e as aspirações palestinas por um Estado.

Um acordo entre Bennett e Lapid já havia sido relatado como iminente quando a violência eclodiu entre militantes de Israel e Gaza no último dia 10 de maio e o líder do Yamina suspendeu as discussões. O conflito terminou com um cessar-fogo após 11 dias.

CONTRA-OFERTA

Tentando impedir um acordo da oposição, Netanyahu fez uma contra-oferta tripla neste domingo para se unir a outro político de direita, Gideon Saar.

Segundo esse plano, Saar serviria como primeiro-ministro por 15 meses, Netanyahu voltaria por dois anos e Bennett assumiria o resto do mandato do governo.

“Estamos em um momento fatídico para a segurança e para o futuro de Israel, em que você deve colocar de lado quaisquer considerações pessoais e tomar medidas de longo alcance e até mesmo sem precedentes”, disse Netanyahu em vídeo sobre a manobra política.

No entanto, Saar, ex-ministro de governo do Likud, rejeitou rapidamente a oferta, escrevendo no Twitter: “Nossa posição e compromisso não mudaram – acabar com o governo de Netanyahu.”

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