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Etiópia minimiza temores de conflito de guerrilha; equipe da ONU é baleada em Tigré

Reuters
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Etiópia minimiza temores de conflito de guerrilha; equipe da ONU é baleada em Tigré
Premiê da Etiópia concede entrevista coletiva em Paris

7 de dezembro de 2020 - 17:32 - Atualizado em 7 de dezembro de 2020 - 17:35

ADIS-ABEBA/NAIRÓBI (Reuters) – O governo da Etiópia negou nesta segunda-feira que forças do norte combatidas por tropas oficiais durante um mês seriam capazes de montar uma insurgência de guerrilha, e diplomatas disseram que uma equipe da Organização das Nações Unidas (ONU) foi baleada quando tentava visitar um campo de refugiados.

Tropas federais tomaram a capital regional Mekelle do antigo partido governista local, a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF), e declararam o fim de sua ofensiva de um mês.

Mas líderes da TPLF disseram que estão reagindo em várias frentes nos arredores de Mekelle. Especialistas em Etiópia temem uma insurgência de longa duração com um impacto desestabilizador no leste da África.

“O bando criminoso adotou a narrativa patentemente falsa de que seus combatentes e apoiadores têm experiência de batalha e são bem armados, criando o risco de uma insurgência prolongada nas montanhas escarpadas de Tigré”, disse o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, em um comunicado.

“Ele também afirmou que conseguiu realizar uma retirada estratégica com toda sua capacidade e aparato de governo regional intactos. A realidade é que o bando criminoso está inteiramente derrotado e desordenado, com uma capacidade insignificante para montar uma insurgência prolongada”.

Não houve resposta imediata da TPLF.

Como as comunicações quase não funcionam e o acesso de agentes humanitários e da mídia é restrito, a Reuters não conseguiu verificar as alegações dos dois lados sobre a situação dos combates.

Uma equipe de segurança da ONU que buscava acesso ao campo de refugiados de Shimelba, um dos quatro para refugiados da Eritreia em Tigré, foi barrada e baleada no domingo, disseram duas fontes diplomáticas.

As fontes não quiseram dar mais detalhes, dizendo que as circunstâncias exatas não estão claras. Não houve comentário imediato do governo, da TPLF ou da ONU.

Acredita-se que o conflito, cuja raízes estão no repúdio de Abiy ao predomínio passado dos moradores de Tigré no governo federal e em cargos militares, já matou milhares de pessoas.

Ele também já fez quase 50 mil refugiados fugirem para o Sudão, causou o disparo de foguetes da TPLF contra a Eritreia, atiçou divisões étnicas e levou ao desarmamento de moradores de Tigré no contingente de pacificação da Etiópia que combate militantes ligados à Al Qaeda na Somália.

A ONU e agências humanitárias estão pressionando para ter acesso seguro a Tigré, que abriga mais de cinco milhões de pessoas e onde 600 mil já dependiam de ajuda alimentar mesmo antes da guerra.

(Redação Adis-Abeba; reportagem adicional de Maggie Fick e reação de Nairóbi)

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