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Erdogan quer Turquia com melhores laços com Israel, mas critica política em relação à Palestina

Reuters
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25 de dezembro de 2020 - 11:29 - Atualizado em 25 de dezembro de 2020 - 11:29

ANCARA (Reuters) – O presidente turco, Tayyip Erdogan, disse que a Turquia gostaria de ter melhores laços com Israel, mas classificou a política israelense em relação aos palestinos como “inaceitável” e um “limite cruzado” para Ancara, acrescentando que as negociações de inteligência foram retomadas entre os dois lados.

Os dois países tiveram sérias desavenças nos últimos anos, apesar dos fortes laços comerciais, com expulsão de embaixadores em 2018. Ancara condenou repetidas vezes a ocupação de Israel na Cisjordânia e o tratamento que dispensa aos palestinos.

Falando a repórteres após as orações desta sexta-feira em Istambul, Erdogan disse que a Turquia tem problemas com “pessoas de alto escalão” em Israel e que os laços poderiam ter sido “muito diferentes” se não fosse por essas questões.

“A política em relação à Palestina é o limite que foi cruzado. É impossível para nós aceitarmos as políticas de Israel em relação aos palestinos. Seus atos impiedosos lá são inaceitáveis”, disse Erdogan.

“Se não houvesse problemas no nível superior, nossos laços poderiam ter sido muito diferentes”, acrescentou. “Gostaríamos de melhorar as nossas relações.”

Ex-aliados, Turquia e Israel expulsaram os principais diplomatas um do outro em 2018 por conta de confrontos que levaram dezenas de palestinos a serem mortos por forças israelenses na fronteira com Gaza. Ancara e Tel Aviv continuam a fazer comércio entre si.

Em agosto, Israel acusou a Turquia de assegurar passaportes a uma dúzia de membros do Hamas em Istambul, descrevendo o ato como “uma medida muito hostil” que seu governo teria de tratar com as autoridades turcas.

O Hamas tomou Gaza das forças leais ao presidente palestino Mahmoud Abbas em 2007, e o grupo lutou três guerras com Israel desde então. A Turquia argumenta que o Hamas é um movimento político legítimo que foi eleito democraticamente.

Israel, que formalizou laços com quatro países muçulmanos este ano, disse na última quarta-feira que está trabalhando para normalizar as relações com uma quinta nação muçulmana, possivelmente na Ásia. A Tunísia declarou na terça-feira que não pretende normalizar os laços.

Ancara criticou as reaproximações mediadas pelos EUA entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e Marrocos, com Erdogan ameaçando suspender os laços diplomáticos com os Emirados Árabes Unidos e retirar seu emissário naquele país. Também criticou a decisão do Bahrein classificando-a como uma traição à causa palestina.

Os palestinos censuraram as negociações mediadas pelos EUA, enxergando-as como uma traição a uma exigência de longa data, a de que Israel primeiro atenda à criação de um Estado palestino. Egito e Israel estabeleceram relações plenas em 1979 e a Jordânia em 1994.

Israel realizará eleição antecipada em março, depois que o parlamento falhou na última terça-feira em cumprir o prazo para aprovar um orçamento.

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