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Enfermeiro que fez 259 horas extras morre de overdose no banheiro do hospital

O enfermeiro foi encontrado morto por colegas de trabalho depois de desaparecer durante seu turno

Aline
Aline Taveira / Produtora com informações do Metro UK
Enfermeiro que fez 259 horas extras morre de overdose no banheiro do hospital
(Foto: Reprodução)

10 de setembro de 2021 - 09:53 - Atualizado em 10 de setembro de 2021 - 09:53

Um enfermeiro que cumpriu 259 horas extras em apenas quatro meses morreu de overdose em um banheiro de hospital, segundo um inquérito instaurado na Inglaterra. Philip Pengson, de 35 anos, vinha trabalhando em um ritmo acelerado durante a pandemia e era viciado em analgésicos.

Colegas relataram ter notado mudanças no enfermeiro e disseram que ele começou a desaparecer por longos períodos durante seus turnos, muitas vezes reaparecendo com aspecto atordoado e com sangue no uniforme. Em 20 de janeiro, no auge do bloqueio da Covid-19, no entanto, enfermeiras não conseguiram encontrar Pengson na enfermaria.

“Reparei que ele tinha desaparecido novamente e enviei uma mensagem a ele e liguei para ele, mas ele não atendeu as chamadas. Passaram-se cerca de 30 ou 40 minutos e ele voltou ao pronto-socorro. Expliquei que estava preocupada com ele e perguntei por que ele estava ausente há tanto tempo. Ele me disse: ‘o que você acha, que eu estou usando drogas ou algo assim?’ Ele me disse que se sentia esgotado e queria ser deixado em paz. Eu não poderia fazer isso porque temos a vida de outras pessoas em nossas mãos”, contou Jéssica Ubag, uma colega de trabalho.

A enfermeira sênior Kristy Juinio, amiga de Pengson, disse que Jéssica veio vê-la por volta das 18h para dizer que não conseguia encontrá-lo novamente.

“Verificamos o vestiário masculino e havia um cubículo de banheiro trancado. Batemos na porta e decidimos esperar 10 minutos para ver se alguém saía. No entanto, um médico veio e nos disse que precisávamos abrir a porta imediatamente. Arrombamos a porta e encontramos Philip desmaiado”, contou Kristy.

Pengson era cidadão filipino e havia viajado para o Reino Unido para trabalhar no Royal Surrey County Hospital em Guildford em 2017, deixando sua esposa e dois filhos pequenos para trás. Sua irmã, Fatimah, que mora no Reino Unido, disse na audiência que ele admitiu que tinha um problema com medicamentos prescritos, mas ele prometeu a ela que era algo do passado. O caso veio a tona após a instauração do inquérito que apura as condições da morte.

Segundo o Metro UK, os detetives que investigavam a morte de Pengson encontraram cinco frascos vazios de uma droga anestésica dentro do quarto dele no alojamento de enfermagem do hospital em Guildford. Mais seis frascos foram encontrados dentro de sua mochila, no cubículo do banheiro. No entanto, eles notaram que a garrafa vazia que Pengson aparentemente acabara de usar era de uma concentração mais forte do que as outras que haviam encontrado com ele.

Julie Burgess, chefe da divisão de enfermagem para cirurgia do hospital, admitiu que o medicamento – usado em quase todas as cirurgias – era guardado em um armário de fácil acesso para todos os funcionários e não precisava de chave.