20 de janeiro de 2020 - 00:00

Atualizado em 3 de junho de 2020 - 15:34

O que esperar do ambiente das Startups para os próximos anos

Startup é um negócio como qualquer outro. Requer muito trabalho, muita estratégia e muita mão na massa

O que esperar do ambiente das Startups para os próximos anos

No meu último texto, falei sobre como 2020 irá marcar uma nova Era no mundo das startups. Foquei meus argumentos em dizer que existe muita espuma sobre essa coisa toda de startup e que, principalmente nessa última década, alguns grandes mitos surgiram, como o mito do fundador jovem ou o mito de que startup é um tipo de negócio para todo mundo.

 

Hoje, quero continuar analisando esse ecossistema das startups, mas partindo para um outro lado. Tem a ver, também, com algumas convenções que surgiram nesses últimos anos e que, acredito eu, serão substituídas ao longo da próxima década.

 

Em 2013, a investidora norte-americana Aileen Lee criou o termo “Unicórnio” para designar as startups com valor de mercado acima de 1 bilhão de dólares. De lá para cá, o mundo viu surgir uma infinidade de “unicórnios” dos mais diferentes segmentos e nos mais diferentes países, com Estados Unidos e China liderando o páreo.

 

Esse movimento todo é, por um lado, sensacional para o ecossistema de startups, já que esse tipo de negócio tão potencialmente revolucionário passou a atrair mais atenção do grande público, de profissionais capacitados querendo se juntar a essas empresas e de investidores em geral. Contudo, isso fez surgir também quase que um endeusamento por esse novo tipo de negócio.

Eu aposto fortemente que os anos entre 2020 e 2025 serão anos de forte adequação desse cenário como um todo.

 

Já falei sobre isso no artigo anterior a esse, mas não custa repetir: Startup é um negócio como qualquer outro. Requer muito trabalho, muita estratégia e muita mão na massa. A “moda” das startups trouxe muito investimento para esse mundo, o que alavancou de forma nunca antes vista alguns desses negócios.

Entretanto, toda essa alavancagem trouxe também alguns pontos negativos.

 

Nos últimos anos, vimos surgir investimentos bilionários em companhias sem nenhuma perspectiva de lucro, como Uber e Wework. Já ouvi algumas pessoas comentando que a Amazon demorou 6 anos até dar algum lucro e virou o que virou. Diante disso, acho que uma análise mais profunda deve ser feita.

 

A Amazon, de fato, passou seus 6 primeiros anos no prejuízo. Até a virada para os anos 2000, era comum que analistas de negócios nos EUA questionassem fortemente a capacidade de Jeff Bezos em liderar a empresa e torná-la lucrativa. Hoje, a Amazon vale quase 1 trilhão de dólares.

Meu ponto é: Nem todo mundo é Jeff Bezos e nem toda empresa é a Amazon.

 

A Wework, por exemplo, teve seu valuation tão inflacionado que alguns analistas de Wall Street chegaram a dizer que, após seu IPO, ela poderia valer 108 bilhões de dólares. Após diversos escândalos envolvendo a empresa, esse valor de mercado “caiu” para aproximadamente 10 bilhões. Mais de dez vezes menos!!!

 

Esse tipo de “susto” ainda deve perdurar por alguns anos, mas acredito que essa próxima década trará muito mais maturidade a todo esse mercado. Algumas métricas, quem sabe, poderão começar a ser revistas e revisitadas.

 

Se os últimos anos foram os anos dos unicórnios, com centenas de empresas atingindo esse status, nos próximos anos, talvez, o foco seja muito mais no faturamento e na geração de caixa do que, necessariamente, no valor de mercado estipulado da empresa.

 

Após todo esse alvoroço com os unicórnios, a sensação que muitas pessoas tem é de que, talvez, muitos dos unicórnios soltos lá fora nem sejam negócios que se sustentam de pé. Diante disso, a métrica do faturamento anual recorrente entra em voga, trazendo muito mais sustentabilidade e solidez a toda essa questão. Se antes nós tínhamos o chamado “Clube dos Unicórnios”, o novo clube talvez seja o das “Startups com 100 milhões de Receita Recorrente Anual”.

 

Para os próximos anos, os unicórnios continuarão a receber os holofotes e a ganhar as notícias (e muitos deles com razão). Contudo, em última instância, a análise de valor das startups mais valiosas do mundo não estará, necessariamente, ligada a ela valer ou não bilhões, mas sim à sua receita recorrente (e 100 milhões de Receita Recorrente Anual parece um valor justo para se criar um grupo seleto como esse).

 

Estaríamos saindo da Era dos Unicórnios e entrando em uma nova Era das startups?