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Indústria do Brasil tem queda inesperada em outubro e chega a 5 meses de perdas na produção

Reuters
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Indústria do Brasil tem queda inesperada em outubro e chega a 5 meses de perdas na produção
Fábrica de alumínio em Pindamonhangaba, SP

3 de dezembro de 2021 - 09:38 - Atualizado em 3 de dezembro de 2021 - 09:40

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) – A produção industrial brasileira iniciou o quarto trimestre ainda em dificuldades, com queda inesperada em outubro e pelo quinto mês seguido, na esteira dos danos causados pela pandemia de Covid-19.

Em outubro, a produção da indústria brasileira registrou recuo de 0,6% na comparação com setembro, acumulando em cinco meses 3,7% de perdas.

Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, em relação a outubro de 2020, houve queda de 7,8%.

Ambos os resultados foram bem piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de alta de 0,6% na variação mensal e de perda de 5,0% na base anual.

A indústria nacional enfrenta um cenário de inflação e desemprego altos no país, ainda em meio a problemas na cadeia de oferta global, falta de matéria-prima e encarecimento dos custos de produção.

“Com cinco meses de queda, o setor fica 4,1% abaixo do nível pré-pandmia, de fevereiro do ano passado. E o setor está 20,2% abaixo do pico de maio de 2011. Mês a mês a indústria perde intensidade e força”, explicou o gerente da pesquisa, André Macedo.

Macedo destacou que o resultado de outubro mantém características que vêm sendo observadas ao longo do ano de predominância de taxas negativas e diretamente afetada pelos efeitos da pandemia da Covid-19.

“2021 é marcado por perfil disseminado de quedas. Há claramente uma perda de força do setor”, completou ele.

Em outubro, três das quatro grandes categorias econômicas e 19 dos 26 ramos pesquisados apresentaram perdas na produção.

As maiores influências negativas entre as atividades vieram de indústrias extrativas (-8,6%) –devido a quedas do minério de ferro e do petróleo– e produtos alimentícios (-4,2%) –por conta do açúcar, com a antecipação da safra da cana-de-açúcar na região Centro-Sul do país.

Entre as grandes categorias econômicas, a queda mais acentuada foi registrada por bens de consumo duráveis, de 1,9%. A fabricação de bens de consumo semi e não-duráveis recuou 1,2%, e a bens intermediários caiu 0,9%.

Somente a produção de bens de capital apresentou ganhos em outubro, de 2,0% em relação a setembro.

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