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Ibovespa interrompe sequência de 5 altas por efeito de Copom e exterior

Reuters
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9 de dezembro de 2021 - 19:11 - Atualizado em 9 de dezembro de 2021 - 19:11

SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa interrompeu uma série de cinco altas seguidas nesta quinta-feira, após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central adotar tom visto como mais duro por analistas e em meio a uma sessão negativa no exterior.

O Ibovespa caiu 1,67%, a 106.291,24 pontos, após ter batido 105.890,21 pontos na mínima. Nas últimas cinco sessões, o índice acumulou ganho de 7,26%. O giro financeiro desta sessão foi de 23,8 bilhões de reais, abaixo da média recente.

Na véspera, o Copom elevou a Selic em 1,5 ponto percentual, conforme esperado por economistas em pesquisa Reuters, para 9,25% ao ano, e indicou uma nova alta de mesma magnitude na próxima reunião.

O comitê disse que, “diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista”. Além disso, o Copom afirmou que “irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.

O tom do comunicado foi visto como ‘duro’ por analistas. Ações de varejistas e de bancos caíram em bloco, assim como de outros setores sensíveis a taxa de juros, como o imobiliário.

“O cenário de possível alta na inadimplência, custo de crédito mais caro e poder de compra da população em baixa são pontos importantes para diversos setores e por isso as ações tiveram baixa prevendo ainda um longo caminho para recuperação”, segundo Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

O exterior também não ajudou, com queda do S&P 500 e do Nasdaq, após dias de alta por alívio com a Ômicron. Os investidores digeriram dado de pedidos de auxílio-desemprego abaixo da estimativa, enquanto aguardam indicador-chave de inflação dos EUA na sexta-feira.

Dados do mercado de trabalho e sobre alta nos preços vêm sendo avaliadas pelo mercado dada sua influência na eventual decisão do Federal Reserve (Fed) de acelerar a retirada de estímulos e de quando subir os juros. A próxima reunião do Fed sobre política monetária ocorre na semana que vem.

DESTAQUES

– NUBANK fechou com alta de 14,8% em sua estreia na NYSE, enquanto os BDRs na B3 saltaram 20%. Na véspera, o Nubank precificou o IPO a 9 dólares por ação, topo da faixa indicativa que foi reduzida anteriormente, captando cerca de 2,6 bilhões de dólares. O IPO teve demanda oito vezes maior que a oferta, disse uma fonte a par do assunto.

– LOJAS AMERICANAS PN desabou 9,2%, AMERICANAS ON afundou 8,6%, MAGAZINE LUIZA ON estendeu o tombo de mais da véspera e recuou 7,8% e VIA ON teve queda de 7,1%. O índice dos papéis de consumo da B3 (que inclui empresas fora do Ibovespa) cedeu 2,3%, ficando atrás dos pares dos setores imobiliário e financeiro.

– MRV ON cedeu 4,7%, EZTEC ON caiu 4,95% e CYRELA ON recuou 3%.

– ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,7%, BRADESCO PN recuou 2,55%, SANTANDER UNIT cedeu 3,4% e BANCO DO BRASIL ON teve queda de 2,2%.

– BRASKEM PN estendeu queda da véspera e caiu 6,9%, em meio informações sobre a venda de participação por seus controladores. A Petrobras reiterou pela manhã que ainda não decidiu sobre a forma como venderá sua fatia na petroquímica. Na véspera, o Broadcast disse que Morgan Stanley e JPMorgan foram contratados para o sindicato de bancos que vai conduzir oferta de ações da Braskem por Petrobras e Novonor.

– CSN ON subiu 1,5%. A companhia teve encontro com investidores e analistas na véspera, recebendo análises positivas. CSN MINERAÇÃO ON, que não está no Ibovespa, subiu 4,15%.

– GOL PN subiu 3,6%. Investidores seguem observando noticiário sobre a Covid-19 e potenciais medidas de restrição por conta da variante Ômicron.

– WEG ON e EQUATORIAL ON também tiveram desempenho positivo, ambas com alta de 1,3%.

– LOCALIZA ON e UNIDAS ON caíram 1,3% e 0,8%, respectivamente, após análise da fusão das empresas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ser marcada para 15 de dezembro, segundo o Diário Oficial da União

(Por Andre Romani)