Coronavírus

Coronavírus: imprensa britânica atribui cura de príncipe Charles à homeopatia

Lucas
Lucas Sarzi
Coronavírus: imprensa britânica atribui cura de príncipe Charles à homeopatia
Foto: Reprodução.

30 de abril de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:43

A mídia mundial atribuiu à homeopatia a recuperação do príncipe Charles, do Reino Unido, que foi acometido em março pelo coronavírus. Com 71 anos, o filho mais velho da rainha Elizabeth II não é o único da família real que faz uso da homeopatia – boa parte do reinado britânico, desde o rei George VI (1895-1952), é adepta à terapia.

“No caso da pandemia do novo coronavírus, homeopatas de todo o mundo têm observado a repetição de vários sintomas, aos quais sugerem alguns medicamentos homeopáticos, envolvendo a prevenção e o tratamento”, diz a pesquisadora Marli Cristina Pereira, do Mestrado Profissional em Biotecnologia Industrial da Universidade Positivo (UP).

Segundo a pesquisadora, há registros científicos do uso da homeopatia em doenças como a Escarlatina (1799-1820), cólera asiática (1831-1849), difteria (Nova Iorque, 1862), gripe espanhola (1918), dengue (Brasil, 2008-2012) e H1N1 (Brasil, 2009).

principe-charles-homeopatia-coronavirus

Jornais consideraram que a homeopatia ajudou Charles. Foto: Reprodução.

Tratamento homeopático pode variar de paciente para paciente

Marli esclarece de que não há um único medicamento homeopático para a covid-19, “porque a homeopatia segue um caminho um pouco diferente da alopatia, ou medicina tradicional”, comenta ela, que é odontopediatra, homeopata e vice-presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas Homeopatas (ABCH).

Conforme a explicação da pesquisadora, a maneira como ocorreu o desenvolvimento da doença no organismo, informação obtida na avaliação inicial do paciente, passa a ser muito importante e a influenciar a prescrição homeopática. “Assim, um mesmo problema pode ter vários tratamentos, ou seja, é possível que em alguns casos, sintomas idênticos possam resultar na prescrição de medicamentos homeopáticos diferentes”, detalha.

Além disto, Marli Cristina também ressalta que, dependendo da gravidade da doença, o uso da homeopatia pode não evitar sua evolução. “Sabemos que a covid-19 se apresenta assintomática ou evolui para um estágio tão grave que exige intubação. Nesses casos, assim como em outras doenças graves, a homeopatia também pretende contribuir minimizando o sofrimento emocional e físico”, afirma.

Sobre o tempo de resposta do organismo ao tratamento, a mestranda explica que “depende da gravidade da doença e da suscetibilidade da pessoa”. A homeopatia é reconhecida e regulamentada como uma especialidade médica, odontológica, veterinária e farmacêutica, podendo ser prescrita apenas por profissionais destas áreas, para as diversas situações específicas dentro das áreas de atuação de cada um.

marli-pesquisadora-homeopatia-coronavirus

Marli fez estudo, mas explica que homeopatia pode variar de paciente para paciente. Foto: Divulgação.

Comprovações científicas para a homeopatia

A escassez de comprovações científicas sobre os efeitos das formulações homeopáticas na saúde, tanto no ser humano quanto em animais, é argumento tanto para quem questiona a homeopatia quanto para quem a defende.

O estudo de Marli Cristina Pereira teve início em 2018, no Mestrado Profissional em Biotecnologia Industrial da Universidade Positivo (UP), e se propôs a avaliar o comportamento das células-tronco frente a diferentes medicamentos e dosagens homeopáticos. Os resultados demonstraram que, de acordo com o tipo e dosagem, a medicação homeopática pode ser citotóxica (tóxica para a célula) ou, ao contrário, pode até estimular a proliferação celular.

A pesquisa culminou com a defesa da Dissertação “Avaliação da influência de medicamentos homeopáticos com tropismo ósseo sobre células-tronco mesenquimais da polpa de dente decíduo”, em fevereiro deste ano. O trabalho foi realizado no Centro de Processamento Celular da Curityba Biotech, localizado dentro da UP que, além de pesquisas, também faz armazenamento de células-tronco de origem dentária.