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Homem conta que filho nadou mais de uma hora em riacho para se salvar

Redação RIC Mais
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3 de fevereiro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 3 de fevereiro de 2019 - 00:00

O produtor rural Ronaldo Gomes e o filho Ronan contam como escaparam da onda de lama de rejeitos em Brumadinho (Foto: Rafael Calado/TV Brasil)

Relatos de sobreviventes ainda emocionam após dez dias de buscas em Brumadinho, em Minas Gerais (MG), veja!

Mesmo após dez dias da tragédia que deixou inúmeras vítimas em Brumadinho, em Minas Gerais (MG), o relato de sobreviventes ainda emocionam a todos. Para eles, é um milagre terem escapado da morte. A barragem da Mina do Córrego do Feijão rompeu no último dia 25 de janeiro, e até o momento a Defesa Civil confirmou 121 mortos, e 226 pessoas ainda seguem desaparecidas.

Produtor rural experiência em tragédia

O produtor rural Ronaldo Gomes de Oliveira, de 41 anos, estava no campo com a mulher, um funcionário e um dos filhos, quando a barragem se rompeu. Segundo ele, foi “avisado” por um barulho ensurdecedor de vento e uma poeira que tomou conta do ar. Foi o tempo para todos correrem até o alto de um morro na tentativa de escapar.

“Foi uma coisa muito impressionante, uma coisa que a gente não imaginava nunca viver na vida, uma coisa muito feia. A gente não sabia de onde estava vindo”, disse. “Eu ouvi um vento, que fazia assim ‘vuuuu’, levando tudo”, acrescentou. “Nunca vi tanta coisa acontecer em tão pouco tempo.”

Filho nadou mais de uma hora

O produtor rural, porém, não sabia que o filho Ronan Otávio Gomes dos Santos, de 14 anos, estava nadando no riacho próximo à barragem no momento do rompimento. O estudante conseguiu escapar, buscando abrigo na área mais seca e próxima do riacho. Segundo ele, foi mais de uma hora nadando.

Exausto, Ronan Gomes parou na área seca e desmaiou. Foi encontrado pelo irmão que o carregou por cerca de uma hora e meia até encontrar ajuda. O adolescente ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em observação porque teve muitos ferimentos, inclusive nos olhos.

Após a tragédia, o estudante se emociona e chora com as lembranças. Ele contou que mesmo cansado e sem forças, caminhou pela mata fechada, pisou em espinhos e teve de escapar de aranhas. “Não estava entendo nada. Foi aí que meu irmão me achou. Eu gritei”, contou o estudante. “Foi Deus que me ajudou”, disse. “Deus me deu outra oportunidade de estar com minha família”, acrescentou Ronan Gomes, que conseguiu levar junto com ele, o escudeiro, o cachorro Tigrão, mascote da família.

Plantação de hortaliças

Agora Ronaldo Oliveira e a família buscam um local para retomar a plantação de hortaliças. Mas sem oportunidades, ele faz apenas planos. “Quero voltar a trabalhar de novo, tentar conseguir uma terra porque a nossa já não produz nada e por causa da água que está contaminada.”

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