Guilherme Rivaroli
Minuto Riva

Por Guilherme Rivaroli

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Guilherme Rivaroli

DISCUSSÃO NECESSÁRIA

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DISCUSSÃO NECESSÁRIA

23 de novembro de 2020 - 09:40 - Atualizado em 23 de novembro de 2020 - 09:51

MINUTO DO RIVA: CASO EM MERCADO DE PORTO ALEGRE REACENDE DEBATE SOBRE RACISMO ESTRUTURAL

O caso de POA mostra a necessidade de discussão essencial – a existência, ou não, de racismo estrutural no Brasil. Ele é diferente das políticas de segregação de estado, como a americana, ou o apartheid sulafricano. É o do dia-a-dia, tão institucionalizado e aceito que a gente sequer percebe.

Intuitivamente, somos racistas. Há aqueles que deliberadamente o são, seres abjetos, desprezíveis e criminosos. Ser um preconceituoso racial não é liberdade de expressão, é crime! Ponto!!! Em nossa sociedade, no mundo todo, “preto parado é suspeito, correndo é ladrão”. Temos que admitir, mudar, e, acima de tudo, sermos antiracistas. Não são descendentes de escravos, se assim os continuarmos tratando, o racismo estrurural não muda, continuaremos e perpetuaremos a desigualdade. São pretos, pardos, humanos, pessoas com direitos e deveres; todavia, a escada deles para subir na vida teve muitos degraus tirados. Precisamos aprender a recontar a história do povo de etnia africana. Leiam, informem-se. Equidade, para atingirmos a igualdade, o mínimo que se espera. Temos que lutar, nos policiar para não sermos racistas e, acima de tudo, ao flgarar, denunciar.

A Lei Áurea é de maio de 1888. Escravos brasileiros foram libertos e jogados a mercê da própria sorte, sem um plano de reinserção social. Ao voltarem da Guerra de Canudos, de 1897, soldados negros trouxeram a expressão favela consigo (uma espécie de cacto nordestino que fica em meio a pequenos morros do sertão, onde sobrevive praticamente sozinho) sendo alijados socialmente e marginalizados em morros, escanteados aos seus direitos e não recebendo a moradia que havia sido prometida a eles. Desde então, a desigualdade é flagrante e gigantesca. Números oficiais do IBGE demonstram que 76% dos pobres brasileiros são pretos ou pardos. Daqueles que vivem em extrema pobreza, 7 em cada 10 são negros, são dados oficiais que apenas mostram o abismo social e a falta de acesso a mecanismos de ascensão social.

Vamos falar então em meritocracia, já que essa é a justificativa de tanta gente para negar essa diferenciação pela cor: “quem quer consegue. Tem que ser por mérito, não por cor. Basta estudar e trabalhar”. Uma pesquisa do site vagas.com mostra o seguinte: “Um estudo do Insper também mostra a grande disparidade de remuneração entre raça e gênero no mercado. O salário médio de um homem branco supera em até 159% o de uma mulher negra. Entre os profissionais com ensino superior em instituição pública, um homem branco ganha em média R$ 7.892. Enquanto isso, uma mulher negra, nas mesmas condições, ganha uma média de R$ 3.047. Entre os graduados em instituições privadas de ensino, a mesma disparidade se repete: os homens brancos ganham uma média de R$ 6.627 e as profissionais negras, R$ 2.903. A desigualdade, como constataram os pesquisadores, se replica em todos os cenários e carreiras analisados.”

Pergunta: se fosse um branco, loiro, de olho azul ( que muita gente cria como estereótipo gaúcho, mesmo POA sendo a capital com mais habitantes que se declaram pretos e pardos do Brasil), engravatado o tratamento seria o mesmo? Se a resposta for não, fica evidente o racismo estrutural. Como acontece com o machismo, homofobia, transfobia, a xenofobia, o preconceito social. Se a resposta é sim, vida que segue. Somos apenas um país violento, onde não existe racismo. As câmeras de segurança estão lá, gravaram muitos dias a fio. Se ali tiver algum outro momento de ação dos seguranças com pessoas brancas, por exemplo, numa situação similar e a reação foi diferente, o caso vai além de um homicídio doloso eventual, com tripla qualificadora ( é assim que a polícia tem tratado o caso). Para provocar: enquanto batiam, você acredita que os vigilantes falariam que o estavam espancando por ser negro? A ficha criminal do morto pouco importa. Nosso país não tem pena de morte, ainda mais da forma brutal e covarde que foi.

No que você prefere acreditar?

O Brasil é de todas as raças, credos, cores, miscigenado e isso nos torna únicos. Nossa Constituição prevê igualdade total! Somos signatários de todos os tratados de direitos humanos propostos pela ONU. Na prática, precisamos que as oportunidades de educação, moradia, saneamento, saúde e bem-estar sejam justas para todos.

As manifestações são necessárias. Quem promove quebra-quebra e pichação que seja punido, até como forma de não deslegitimar os justos protestos.

Toda vida importa, sempre! Só preste atenção nisso: negros têm chance 2,7 vezes maior de morrer e são quase 75% dos mortos violentos em todo território nacional, dados retirados do Atlas da Violência, de 2018.

Realmente promovemos a igualdade? Metade dos brasileiros se diz branco, qual motivo, então, de tanta disparidade?

Quem sou eu, considerado branco e privilegiado, para negar que o racismo existe? Jamais sentirei essa diferenciação pela e na pele.

O assunto é complexo, espinhoso e difícil; devemos tratá-lo com seriedade! Chega de varrer para debaixo do tapete!

Era isso!

Sorte e paz!

Vamos juntos!

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