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Greve dos caminhoneiros completa uma semana

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

27 de maio de 2018 - 00:00 - Atualizado em 27 de maio de 2018 - 00:00

Ao todo, são 251 pontos de interdição em rodovias estaduais e federais no Paraná (Foto: Pixabay)

De acordo com balanço divulgado pela PRF, os estados do sul possuem o maior número de rodovias interditadas do país

A greve dos caminhoneiros chegou ao sétimo dia de protestos neste domingo (27). A situação dos postos de combustíveis de todo Estado é grave. Na Capital, a informação é que apenas dois locais ainda tenham produto para venda, deixando o abastecimento comprometido.

Os estados do sul do país tem o maior número de rodovias interditadas, segundo último balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ao todo, são 251 pontos de interdição em rodovias estaduais e federais no Paraná. Os pontos mais críticos na manhã deste domingo são: Posto Costa Brava, na BR-116, sentido São Paulo; Contorno Sul, perto do posto Túlio, no km 67; BR-277, próximo ao Posto Paris, perto do pedágio.

A PRF, atendendo ao pedido da Assessoria Nacional de Comunicação, não irá mais divulgar balanços de bloqueios em rodovias estaduais. A partir de agora, apenas números nacionais serão divulgados.

Combustível

De acordo com o Sindicombustíveis, poucos caminhões-tanques conseguem furar os bloqueios e, na maioria dos casos, contanto com apoio policial, por isso alguns postos ainda recebem pequenas cargas. “Esta escolta policial vem sendo realizada apenas de forma pontual, para abastecimento de viaturas oficiais e da própria polícia, e nestes casos também ocorre de restar combustível para que estes postos possam atender a população. As ações de escolta acontecem de forma esporádica, sem aviso, e portanto não há como prevê-las. São carregamentos pequenos que se esgotam em questão de horas, gerando grandes filas” afirmou por meio de nota.

Segundo o sindicato, ainda restam estoques pequenos de diesel em Curitiba e Região Metropolitana. Já o fornecimento de GNC, que em sua grande maioria é feio por tubulação, continua ocorrendo. 

 

 

No Paraná, como um todo, a situação é similar: não há abastecimento regular. Pode ocorrer que algum posto, de forma isolada, venha a obter algum produto, por conta de caminhão-tanque que tenha conseguido furar os bloqueios, geralmente com escolta. Diante deste quadro, não há condições de quantificar de forma exata número de postos em atividade no Paraná e em Curitiba que poderiam ainda ter gasolina e álcool. São casos raros e isolados.

 

Alimentos

As Ceasas do Paraná, que ficam em Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu, venderam apenas 10% do previsto neste sábado. Poucos produtos estão conseguindo chegar até o centro de distribuição, na Capital, por exemplo, apenas 40 produtores conseguiram chegar no local para vender os produtos. Em dias normais, o local recebe aproximadamente 300 produtores. Já em Foz do Iguaçu, a falta de alimentos está prejudicando também compradores do Paraguai, que frequentam diariamente a central de abastecimento.

De acordo com a Prefeitura de Curitiba, há um ajuste nos Sacolões da Família, que vendem hortifrutis. Dos nove unidades que abrem regularmente às segundas-feiras seis estão com as atividades mantidas e três estarão fechadas neste 28/5. Vão abrir as unidades do: Boqueirão, Jardim Paranaense, Carmo, Pinheirinho, Fazendinha e Vila Sandra. Fecham as unidades do Boa Vista, Santa Cândida e Santa Felicidade.

Transporte Coletivo

Na Capital e Região Metropolitana, a frota de ônibus está funcionando normalmente após uma operação para o abastecimento das empresas. Em Londrina, no norte do Paraná, um caminhão conseguiu chegar até uma das empresas de ônibus e o sistema foi normalizado.

Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, não houve transporte público neste sábado e não há previsão de quando a frota irá voltar a circular. Em Maringá, no norte, dez linhas não irão funcionar neste domingo por falta de estoque de combustível. Já em Umuarama, no noroeste, as linhas estão circulando, mas com ônibus a menos, aumentando o tempo de espera dos passageiros.

Em Cascavel, no oeste, neste domingo nenhuma linha irá sair para as ruas e nesta segunda-feira, voltam a funcionar em três horários: 6h às 8h30, 11h30 às 14h e das 17h às 19h. Já em Foz, neste domingo e segunda os ônibus circulam em horários reduzidos. Em Guarapuava, os ônibus funcionam até às 18h.

Reunião

Na tarde deste sábado, Cida Borghetti, governadora do Paraná, reuniu as forças de segurança do Estado para tratar dos reflexos dos protestos de caminhoneiros. “Vamos intensificar o diálogo com os manifestantes para liberar produtos básicos para as famílias, como o gás de cozinha. Já temos a garantia do trânsito de medicamentos, insumos hospitalares, combustíveis para serviços médicos e de segurança. Precisamos também a circulação dos caminhões de lixo e de alimentos básicos”, ressaltou Cida.

Estavam presentes na reunião os secretários da segurança pública, Júlio Reis e da comunicação social, Alexandre Teixeira, a comandante da Polícia Militar, coronel Audilene e o chefe da Casa Militar e Defesa Civil, coronel Tortato.

Uso da força 

Na última sexta-feira (25), o presidente da República, Michel Temer, assinou um decreto determinando o uso das forças federais para liberar as rodovias. O decreto foi públicado em edição extra do Diário Oficial da União autorizando o emprego das Forças Armadas no contexto da Grantia da Lei e da Ordem (GLO). 

Em contrapartida, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) solicitou que os caminhoneiros liberem as rodovias do país. “A Abcam, preocupada com a segurança dos caminhoneiros envolvidos, vem publicamente pedir que retirem as interdições nas rodovias, mas, mantendo as manifestações de forma pacífica, sem obstrução das vias”, diz a entidade.

A entidade ainda afirmou que classificou como “lamentável” a manifestação tardia do presidente e que “preferiu ameaçar os caminhoneiros por meio do uso das forças de segurança ao invés de atender às necessidades da categoria”.