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Caroline Berticelli / Editora com reportagem da RIC Record TV Curitiba

22 de maio de 2020 - 00:00

Atualizado em 22 de maio de 2020 - 00:00

Coronavírus

“Nós vamos ter um grande número de casos no Paraná”, diz secretário sobre coronavírus

O secretário estadual de saúde, Beto Preto, falou sobre a preocupação com a falta de leitos; confira a entrevista!

“Nós vamos ter um grande número de casos no Paraná”, diz secretário sobre coronavírus
FOTO: EDUARDO MATYSIAK

O número crescente de infectados pelo novo coronavírus no Paraná e a proximidade do inverno têm preocupado as autoridades sanitárias do Estado nos últimos dias. Em entrevista, concedida ao programa Balanço Geral Curitiba desta sexta-feira (22), o secretário de Saúde Beto Preto externou o receio de que venham a faltar leitos para os doentes em hospitais. (Assista abaixo)

“O aumento era esperado. Uma vez que nós tenhamos a diminuição da temperatura, pela chegada mais próxima do inverno, somado com a umidade aumentando, devido a chuva, nós vamos ter um grande número de casos no Paraná. Estamos preparados para atender, só que se houver uma explosão de casos, com certeza, vamos ter um colapso no nosso sistema de saúde”, disse. 

Na quinta-feira (21), o Paraná bateu o recorde de confirmados com Covid-19 em 24h, foram 194 novos casos da doença entre 20 e 21 de maio. No dia anterior, o número havia sido 134. Ao todo, 141 pessoas já morreram em decorrência da infecção. 

Outro dado que mostra como novo coronavírus está se alastrando pelo território é o de que 50% dos municípios paranaenses já registraram pelo menos um caso da doença, ou seja, das 399 cidades do Paraná, o vírus já chegou em 201

O secretário explicou que embora o governo tenha articulado uma “grande rede” de leitos, tanto de enfermaria como de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para atender os pacientes de Covid-19 em todo o Estado, existe, sim, a possibilidade de que todos venham a ficar lotados.  

“Articulamos uma grande rede, robusta, mas ela não é infinita, ela é finita. Ela tem limite. […] Nós temos 1200, 1300 leitos adultos de UTI pelo SUS contratados no Paraná habitualmente. Em uma canetada só, contratamos quase 600 a mais e tem outros 500 preparados para serem contratados. Mas nós não vamos ter capacidade, nem equipe para contratar seis mil. Isso não existe no Paraná, equipe para tocar seis mil leitos de UTI”, declarou Beto Preto. 

Isolamento domiciliar e distanciamento social

Mais cedo, durante sua participação no programa Paraná no Ar, também da RIC Record TV, o secretário de saúde já havia pontuado que o Estado ainda está longe do pico de Covid-19. Durante a conversa, ele lembrou que o aumento de casos que vem ocorrendo é o reflexo do aumento da circulação das pessoas que estão abandonando as medidas de isolamento domiciliar e distanciamento social.

Sobre a abertura de igrejas, de templos e shoppings, entre outros, Beto Preto explicou que o Estado emitiu notas técnicas para regularizar o funcionamento dos estabelecimentos, assim como a realização de cultos e missasNo entanto, caso os números de infectados continuem aumentando, poderá ser necessária uma tomada de medidas mais drásticas

“Nós temos atividades que aqui na capital estão fechadas e que no interior estão todas, praticamente, abertas, como shoppings, funcionamento de igrejas, de cultos e missas. Tudo isso, nós estamos tentando regularizar com uma nota técnica de restrição de número de pessoas, distanciamento, uso de itens de segurança como álcool em gel e máscaras. Mas se dentro de alguns dias tudo isso não ceder, possivelmente, nós vamos ter que tomar medidas mais duras porque, principalmente, somos vizinhos de São Paulo, o epicentro da doença no Brasil. Tudo isso pode acarretar um aumento exponencial de casos no Paraná”, disse. 

O governo estadual também reforçou a fiscalização nas rodovias que ligam o Paraná ao estado de São Paulo. Quem vem do estado vizinho e passa por um dos 11 pontos de controle é orientados a usar máscaras e evitar aglomerações. Caso alguém seja identificado com sintomas de Covid-19, a pessoa é impedida de seguir viagem e encaminhada para um posto médico até que o diagnóstico possa ser concluído. 

Assista à entrevista: