Notícias

Governo mantém aposta em projeto de lei para privatizar Eletrobras, dizem fontes

Reuters
Reuters
Governo mantém aposta em projeto de lei para privatizar Eletrobras, dizem fontes
Logo da Eletrobras em painel na bolsa de valores de Nova York, EUA

28 de janeiro de 2021 - 16:30 - Atualizado em 29 de janeiro de 2021 - 16:22

Por Luciano Costa e Lisandra Paraguassu

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) – O governo do presidente Jair Bolsonaro não mudou seus planos para a privatização da Eletrobras após o pedido de renúncia do presidente da companhia nesta semana, e deve insistir em um projeto de lei enviado ao Congresso para viabilizar a operação, disseram duas fontes à Reuters.

O CEO da estatal, Wilson Ferreira Jr., disse na segunda-feira que deixará o cargo em março porque recebeu um convite para assumir na sequência o comando da BR Distribuidora.

O anúncio derrubou fortemente as ações da Eletrobras, que desabaram quase 10% na terça-feira, com analistas de mercado apontando maiores dificuldades à frente para a privatização.

Mas a perspectiva de saída de Ferreira não alterou a estratégia do governo, que quer avançar com o projeto de desestatização no Congresso logo depois da eleição dos novos presidente da Câmara e do Senado na próxima segunda-feira, disse uma das fontes, que participa das conversas sobre o tema e falou sob a condição de anonimato.

“Sobre o projeto de lei, tem que aguardar semana que vem, as eleições. Agora não adianta (negociar sobre o assunto).”

“Estão trabalhando no texto do PL (projeto de lei) que está no Congresso”, disse uma segunda fonte, ligada à equipe econômica, que também falou sob a condição de anonimato.

O projeto sobre a Eletrobras –que define que a privatização ocorreria por meio de uma oferta de ações que capitalizaria a companhia e diluiria a fatia do governo na empresa– foi enviado pelo governo Bolsonaro ao Congresso no final de 2019, mas sequer teve relator sorteado até o momento.

Na noite de quarta-feira, a CNN Brasil publicou que a equipe econômica avaliaria a possibilidade de editar uma medida provisória (MP) sobre a desestatização da elétrica, que incluiria a companhia no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Questionada especificamente sobre essa possibilidade, a primeira fonte disse que o tema não está sobre a mesa.

A segunda fonte disse que os esforços estão concentrados no momento no projeto de lei. “Esse é o cenário atual.”

Procurado, o Ministério da Economia disse que não iria comentar. O Ministério de Minas e Energia não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

Apesar das expectativas do governo de seguir com a privatização da Eletrobras após a escolha dos novos presidentes da Câmara e do Senado, os principais concorrentes a ambos os postos deram declarações recentes no sentido de que a desestatização não é prioritária.

“Esse sinal foi emitido até por aqueles que contam com o apoio do governo na disputa pelo comando das duas Casas”, escreveu a corretora XP Investimentos em nota para clientes na segunda-feira.

O candidato apoiado por Bolsonaro para a Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), sinaliza que só colocaria o projeto para votação caso houvesse um pedido da maioria, o que “está longe de existir hoje”, segundo a XP.

Já o candidato do Planalto ao Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse na semana passada que focará questões de saúde pública, sociais e no crescimento econômico, devido à pandemia, e não nas discussões sobre a Eletrobras.

(Por Luciano Costa e Lisandra Paraguassu)

tagreuters.com2021binary_LYNXMPEH0R1NM-BASEIMAGE

Informamos aos nossos visitantes que nosso site utiliza cookies. Ao usar nosso site, você concorda com nossos Termos de Uso. A maioria dos navegadores aceita cookies automaticamente. Para ver quais cookies utilizamos, acesse nossa Política de Privacidade.