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Funcionários da prefeitura que filmaram mulheres em Guaratuba são afastados

Redação RIC Mais
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28 de novembro de 2018 - 00:00 - Atualizado em 28 de novembro de 2018 - 00:00

Mulheres eram filmadas em ‘close’ pelas câmeras de segurança em Guaratuba. (Foto: Reprodução/RICTV)

Até o momento, quatro servidores públicos concursados foram afastados por envolvimento com o caso das câmeras de segurança de Guaratuba

A Prefeitura de Guaratuba, no litoral do Paraná, afastou de suas funções os quatro funcionários que utilizaram as câmeras de segurança municipais para monitorar mulheres na praia, no calçadão da cidade e em um hotel. Todos trabalhavam na Secretaria Municipal da Segurança Pública. (Veja imagens no vídeo abaixo)

Em coletiva de imprensa, a procuradora municipal Denise Lopes Gouveia, explicou quais serão os procedimentos. “São servidores de carreira, concursados, são servidores que tem direito a ampla defesa, ao contraditório ao um devido processo legal. Portanto, a sindicância já foi determinada pelo prefeito para que se iniciem as investigações e depois da sindicância o processo administrativo disciplinar porque é assim que a lei determina que seja feito”.

Em nota, a prefeitura também informou que os trabalhos de sindicância devem durar 30 dias e podem ser prorrogados por mais 30 dias. E, que a possibilidade de novos afastamentos não está descartada caso sejam identificados mais envolvidos.

A Polícia Civil e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) também abriram investigações para apurar atos de improbidade administrativa e também identificar todos os envolvidos por ação ou por omissão no caso. O MP-PR quer a responsabilização dos responsáveis, assim como da prefeitura e ainda descobrir se houve algum tipo de prejuízo à população de Guaratuba.

Câmeras de monitoramento de Guaratuba

Na orla de Guaratuba existem dez câmeras de segurança que filmam detalhes em até 30 metros de distância e são operadas em uma central. No local, 16 técnicos de segurança e monitoramento se dividem em quatro turnos para trabalhar.

As câmeras de segurança de Guaratuba filmam detalhes em até 30 m. (Foto: Reprodução/RICTV)

Entenda o caso

De acordo com a administração municipal, a situação de que as câmeras de monitoramento localizadas a beira a mar eram usadas, por servidores públicos, para ver mulheres e adolescentes na praia foi descoberta por outros funcionários, que buscavam nos vídeos imagens de Wellington Bruno Kluger Moreira, de 13 anos, que morreu afogado no dia 16 de novembro. No entanto, esses colaboradores teriam divulgado as imagens na Internet ao invés de denunciar o ocorrido.  

Duas mães de menores de idade registram B.O. (Foto: Reprodução/RICTV)

Em algumas imagens é possível identificar quem são as mulheres e jovens filmadas. A mãe de uma adolescente de 16 anos que aparece nas gravações conta que se assustou quando viu a imagem da filha circulando pela Internet e afirmou que pretende tomar uma providência. “Ela nao gosta nem de ir na praia, parece que é uma coisa, quando ela resolveu ir na praia com essa amiga acontece essa palhaçada. Imagine o que eles não fazem com as filmagens das pessoas . Agora a gente tem até medo de ir na praia porque o que não andam filmando das pessoas. Duas menores eles fazem isso, né. Achei muita sem-vergonhice, ela só tem 16 anos. Quero providência sobre isso daí, porque isso daí é um crime”, disse a mulher que não quis se identificar.

Também foram descobertas imagens de hóspedes dentro de um hotel a beira mar. Em uma das gravações, uma jovem está na sacada do apartamento quando a câmera se aproxima quando ela vira de costas.

Hóspede de hotel filmada pelas câmeras de monitoramento de Guaratuba. (Foto: Reprodução/RICTV)

Duas mães registram Boletins de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil. No entanto, para o delegado responsável não existe um crime. “Não existe nenhum elemento que indique a existência de um crime. De um crime daqueles previstos na nossa legislação penal, mas, de outra forma, não afasta a responsabilização administrativa, a responsabilização política dos agentes envolvidos. Eles com certeza devem responder administrativamente “, explicou Leandro Stábile.  

Danilo de Souza, advogado de uma das jovens que pode ser reconhecida nas filmagens, afirmou que a cliente foi prejudicada pela divulgação das imagens. “Ela está sendo reconhecida na escola, está sendo reconhecida no mercado, aonde ela vai. Então, ela está bastante assustada. Tanto é que ela não quer nem se expor mais”.

Assista à reportagem completa:

Maurício Freire, repórter da RICTV Curitiba , conta todos os detalhes.

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