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Fósseis de floresta encontrados no PR são janela para o passado, diz pesquisadora

Segundo a pesquisadora da UFPR Thammy Ellin Mottin, os fósseis são a chave para entender o passado e fazer previsões para o futuro

Isadora
Isadora Deip / Estagiária com colaboração de Mônica Ferreira e supervisão de Ederson Hising
Fósseis de floresta encontrados no PR são janela para o passado, diz pesquisadora
(Foto: Reprodução/Redes sociais)

15 de junho de 2022 - 16:43 - Atualizado em 15 de junho de 2022 - 17:29

A pesquisadora Thammy Ellin Mottin, responsável pela descoberta de fósseis de árvores de 290 milhões de anos em Ortigueira, no norte do Paraná, comparou a floresta a uma janela que permite ver o passado distante da Terra, já que as árvores estão preservadas da exata maneira como existiam na antiguidade. Nas palavras de Thammy, elas foram “congeladas no tempo”.

De acordo com a pesquisadora, os fósseis podem ajudar a sociedade a compreender a dimensão do tempo do planeta Terra, que muitas vezes foge da perspectiva das pessoas leigas. “Duzentos e noventa milhões de anos é um intervalo de tempo que até para os geólogos às vezes é difícil absorver, imagina para os não geólogos”, afirma Thammy.

A pesquisadora também destaca que a floresta de licófitas preservada em Ortigueira é rara em diversos aspectos.

“Ela encontra-se no hemisfério sul, onde seu registro é muito raro. A esmagadora maioria das licófitas preservadas em posição de vida ocorre no hemisfério norte. Além disso, dentre as outras duas ocorrências no hemisfério sul [Argentina e Rio Grande do Sul], a floresta em questão possui um número de árvores preservadas muito maior e a qualidade de preservação é bastante superior. Em Ortigueira, há no mínimo 165 árvores, enquanto no Rio Grande do Sul são menos de 10, e na Argentina, poucas dezenas”,

explica Thammy.

Foram encontrados, ainda, vestígios de outros organismos aquáticos que viviam no local, descritos pela pesquisadora como icnofósseis. “São vestígios da atividade de organismos que viviam em determinada época, como são as pegadas de dinossauros”.

Importância para a educação

Conforme a pesquisadora, a importância da descoberta para a educação é imensurável e vai além dos conteúdos ensinados nas rotinas de sala de aula no ensino fundamental e médio. A geologia e a paleontologia, apesar de serem pouco divulgadas para crianças e jovens, causam um grande fascínio nessa faixa etária, segundo Thammy.

“O ensino sobre formas de vida que não existem mais e que agora estão preservadas somente como fósseis, como é o caso das árvores de Ortigueira, também é importante para ensinar sobre a evolução da vida durante a história do planeta, que nos permite contar partes da história mesmo que nenhum ser humano a tenha presenciado. Os fósseis e as rochas são a chave para entender o nosso passado, e também para fazer previsões para o futuro”.

Sobre a pesquisa

A descoberta faz parte do projeto de doutorado da Thammy, orientado pelo professor Fernando Vesely, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A pesquisadora estuda uma glaciação antiga que ocorreu há cerca de 300 milhões de anos e a mudança para uma fase de clima pós-glacial.

Thammy, o orientador e pesquisadores da Universidade da Califórnia estavam em campo na região norte e central do Paraná para analisar rochas da chamada Bacia do Paraná, foco do projeto de doutorado da pesquisadora. Por meio de imagens de satélite, eles perceberam que uma estrada tinha sido aberta recentemente em Ortigueira, e decidiram ir até lá para descrever as rochas e coletrar amostras.

Quando chegaram no local, tiveram uma surpresa ao verem dezenas de árvores preservadas, como raramente ocorre no registro geológico.

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