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Forças Armadas podem ir para rua acabar com “covardia” de toque de recolher, diz Bolsonaro

Reuters
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Forças Armadas podem ir para rua acabar com “covardia” de toque de recolher, diz Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro

23 de abril de 2021 - 23:23 - Atualizado em 23 de abril de 2021 - 23:25

Por Ricardo Brito

(Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que as Forças Armadas podem ir para a rua para, segundo ele, garantir o cumprimento do artigo 5º da Constituição e acabar com “essa covardia de toque de recolher” e outras restrições adotadas por governadores no combate à pandemia.

“Se tivermos problema, nós temos o plano de como entrar em campo”, disse Bolsonaro em entrevista veiculada no programa Alerta Especial.

“Eu tenho falado, falo o ‘meu’ e o pessoal fala ‘não’… eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. Vamos falar, o nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar, iremos para as ruas, não para manter o povo dentro de casa, mas para restabelecer todo o artigo quinto da Constituição”, acrescentou.

“Se eu decretar isso, vai ser cumprido este decreto. Então, as nossas Forças Armadas podem ir para a rua um dia, sim, dentro das quatro linhas da Constituição para fazer cumprir o artigo 5º, direito de ir e vir, acabar com essa covardia de toque de recolher, (garantir o) direito ao trabalho, liberdade religiosa de culto, para cumprir tudo aquilo que está sendo descumprido por parte de alguns governadores e alguns poucos prefeitos.”

A fala de Bolsonaro se deu após questionamento do entrevistador, Sikêra Junior, sobre se não estaria na hora de uma reação mais enérgica dele, na linha, “ora, vamos parar com isso”.

Na entrevista, o presidente criticou o que considera um “poder excessivo que lamentavelmente o Supremo Tribunal Federal delegou”. Para Bolsonaro, qualquer decreto de governador e prefeito “leva a um transtorno à sociedade onde vem a indignação que você fala está chegando a hora”.

“Agora o que acontece? Eu não posso extrapolar e isso alguns querem que a gente extrapole. Eu estou junto com meus 23 ministros, você pega da Damares ao Braga Netto, todos, 23, praticamente conversados sobre isso aí, o que fazer se um caos generalizado se instalar no Brasil pela fome, pela maneira covarde como alguns querem impor essas medidas”, afirmou.

Segundo o presidente, o caldo “não entornou” no ano passado em função do auxílio emergencial e ele disse que o benefício –retomado este mês com valor reduzido– acabará em breve.

“Se tivermos problemas sérios, pode ter certeza que nós vamos entrar em campo para resolver esse assunto e acabar com essa palhaçada de alguns simplesmente ignorarem as necessidades básicas desse povo e quererem mantê-los preso dentro de casa”, afirmou.

Bolsonaro vinha dizendo que não empregaria o Exército para obrigar as pessoas a ficarem em casa, nas medidas de restrição de mobilidade social adotadas por gestores regionais que visam reduzir o avanço no contágio e nas mortes do novo coronavírus.

MÁSCARA

O presidente, que frequentemente é visto em público sem máscara –mesmo depois que seu novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defender a importância do uso– mostrou otimismo sobre o Brasil estar perto de não precisar mais usar a proteção.

Para Bolsonaro, com a vacinação caminhando logo se chegará à imunização de rebanho e o Brasil poderá tirar a máscara, afirmando que quem diz que a proteção facial não incomoda é mentiroso.

Mas a vacinação no país segue lentamente. Sgundo dados do Ministério da Saúde, até agora 26,4 milhões de pessoas receberam pelo menos a primeira dose da vacina. Se em números absolutos isso coloca o Brasil entre os que mais estão vacinando, em termos proporcionais o total representa apenas 12,6% da população. Quando se considera os já vacinados com a segunda dose, a situação fica muito pior: 10,7 milhões, o equivalente a 5,1% da população.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Ainda do lado econômico, o presidente reconheceu a importância da reforma tributária, mas destacou que se deve buscar um projeto que seja aprovado pelo Congresso.

Bolsonaro disse que tem conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, insitindo nesse ponto, que não deve ser o que o ministro quer, mas o que possa ser aprovado pelos parlamentares.

Mas até agora, mesmo Guedes só apresentou ao Congresso parte do que seria sua proposta de reforma tributária. O tema está sendo discutido em uma comissão mista de deputados e senadores.

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