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Fiocruz diz que variante de Covid detectada no Japão provavelmente surgiu a partir de dezembro no Amazonas

Reuters
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Fiocruz diz que variante de Covid detectada no Japão provavelmente surgiu a partir de dezembro no Amazonas
Surto de Covid-19 em Manaus

12 de janeiro de 2021 - 19:09 - Atualizado em 12 de janeiro de 2021 - 19:10

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz Amazônia afirmaram nesta terça-feira que uma nova variante da Covid-19 encontrada no Japão em pessoas que viajaram do Amazonas provavelmente surgiu no Estado da Região Norte do Brasil entre dezembro e janeiro, e acreditam que pode estar contribuindo para a aceleração de casos na localidade.

Segundo nota técnica dos pesquisadores, a mutação ocorreu sobre uma variante do vírus que já circulava em diversos Estados brasileiros desde pelo menos abril do ano passado, sendo “um fenômeno recente” que provavelmente ocorreu entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021.

“Nossos resultados, assim como de um grupo de pesquisadores da USP analisando amostras diferentes, chegaram à mesma conclusão de que a origem dessa variante encontrado no Japão é a linhagem encontrada no Amazonas”, disse Felipe Naveca, pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em vídeo divulgado pela fundação.

O Ministério da Saúde do Japão anunciou no domingo que uma nova variante do coronavírus fora detectada em quatro pessoas que chegaram ao país oriundas do Amazonas. Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, autoridades japonesas informaram que foram identificadas 12 mutações na nova cepa, sendo uma delas a mesma já identificada em variantes mais transmissíveis do vírus vistas no Reino Unido e na África do Sul.

Os pesquisadores da Fiocruz Amazônia informaram que estão realizando mais testes para verificar se a nova variante também é mais contagiosa, e afirmaram que é possível que esteja por trás da recente disparada de casos no Amazonas, que enfrenta uma grave segunda onda da doença.

“Pode ser que haja sim uma contribuição dessa variante mas a gente ainda não tem certeza, vamos precisar sequenciar muito mais para poder afirmar que isso está acontecendo”, disse Naveca, lembrando que outros fatores também têm contribuído para a alta de casos, como o período de inverno amazônica e as aglomerações provocadas pelas festas de final de ano.

“A gente vai aumentar o sequenciamento das amostras de dezembro e de janeiro. Já estamos saindo essa semana com algumas amostras para tentar identificar em que momento ocorreu o surgimento dessa variante e continuar nos meses seguintes para identificar essa ou outras variantes que permaneçam circulando no Amazonas”, acrescentou

Segundo a nota técnica, o surgimento simultâneo de diferentes linhagens virais que carregam mutações similares em diferentes países ao redor do mundo durante a segunda metade de 2020 “sugere mudanças seletivas convergentes na evolução de SARS-CoV-2″ durante o processo de infecção de milhões de pessoas”.

“Se essas mutações conferem alguma vantagem seletiva para a transmissibilidade viral, devemos esperar um aumento da frequência dessas linhagens virais no Brasil e no mundo nos

próximos meses”, disseram os pesquisadores no documento.

(Por Pedro Fonseca)

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