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Familiares de estudante gravemente ferida em explosão se manifestam

Redação RIC Mais
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22 de abril de 2017 - 00:00 - Atualizado em 22 de abril de 2017 - 00:00

Maria Luisa ficou gravemente ferida após a explosão (Foto: RICTV, Reprodução)

A família lamenta que se tente ‘impingir em Maria Luisa a culpa pelo seu próprio infortúnio’

Na semana passada, a Polícia de Cascavel divulgou um laudo sobre o caso da estudante Maria Luisa Moia Kamei, que sofreu queimaduras em 80% do corpo em uma explosão no dia 11 de março, no seu apartamento, e está internada na UTI do Hospital Evangélico, em Curitiba. 

O laudo afirma que o episódio se deveu ao fato de o ar ter ficado saturado de gás por causa de um vazamento, e então esse acúmulo “possivelmente” explodiu por “contato com faísca elétrica gerada ao toque de um interruptor de luz”. 

O apartamento ficou completamente destruído. Paredes do prédio arrebentaram, e carros próximos e edifícios vizinhos tiveram vidros estilhaçados. 

Hoje, a família se manifestou em nota sobre o caso. “Gostaríamos de esclarecer, em primeiro lugar, que tudo o que foi produzido [pela imprensa] até o momento não contou com qualquer informação de Maria Luisa ou de quaisquer de seus familiares”, salienta a nota, que também lamenta se tente “impingir em Maria Luisa a culpa pelo seu próprio infortúnio”.

Confira a nota de esclarecimento na íntegra. 

Na última semana fomos procurados por diversos amigos, jornalistas e outras pessoas interessadas na posição da família de Maria Luisa Moia Kamei, sobre o laudo pericial divulgado pela Polícia Civil em Cascavel.

A despeito do laudo ter sido divulgado para toda a imprensa, os familiares de Maria Luisa não puderam ter acesso ao documento, mesmo através de advogados, sob o argumento de que seria necessária a apresentação de Procuração, uma manifestação de vontade que, por óbvio, a vítima do acidente não tem condição física de fazer. Em razão da gravidade das queimaduras, não pode pegar uma caneta e assinar uma Procuração, como outrora lhe era permitido fazer. Tampouco é possível colher as suas digitais, pois as suas mãos foram queimadas. Maria Luisa segue na UTI do Hospital Evangélico, lutando a cada dia pela vida. Nessa semana passou por intervenções cirúrgicas. Na semana anterior lutou contra uma septicemia, infecção generalizada que quase lhe custou, mais uma vez, a sua vida.

Diante desse quadro, sem acesso ao laudo pericial, em que pese a questão ter se tornado de interesse público e de relevância social, não teve a família condições de se manifestar a respeito até o momento, pelos motivos já apontados. Apenas recentemente uma cópia do laudo lhes foi franqueada por um jornalista.

Durante toda a semana assistimos, consternados, manifestações veiculadas pela imprensa relatando questões sobre as quais não temos condições de averiguar, seja pela falta de conhecimento técnico, seja porque a principal fonte de informações, Maria Luisa, não tem hoje possibilidade de se manifestar. Portanto, gostaríamos de esclarecer, em primeiro lugar, que tudo o que foi produzido até o momento não contou com qualquer informação de Maria Luisa ou de quaisquer de seus familiares. Também gostaríamos de informar que a família pretende colaborar para a apuração da verdade dos fatos, por diversas razões: 1) que eventos brutais dessa natureza não voltem a ocorrer; 2) que a dor que hoje estamos vivenciando sirva, ao menos, para alertar a sociedade desses riscos; 3) que a responsabilidade recaia sobre quem, de fato, seja o culpado dessa tragédia.

Manifestações que têm sido veiculadas por diversos canais de comunicação, tentam impingir em Maria Luisa a culpa pelo seu próprio infortúnio. E, nesse particular, gostaríamos de ressaltar a importância do trabalho da imprensa, que não deixou esse caso tão importante cair no esquecimento. Sobre essa questão, não pretendemos fazer qualquer juízo de valor precipitada, antes de contar com apoio técnico especializado. Contudo, pretendemos ir a fundo nessa apuração. A postura da família se justifica pela necessidade de deixar um legado positivo para a sociedade, no sentido de prevenir novos acidentes dessa natureza. E porque Maria Luisa, sobrevivendo a tudo isso, além de ter que conviver com todas as restrições e cicatrizes físicas psicológicas, condições impostas por esse sinistro, não merece ter que conviver ainda com “fantasmas”, mas apenas com a verdade. Por esses motivos, a família coloca-se à disposição das autoridades competentes, no intuito de colaborar com as investigações e para a apuração da verdade.