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Familiares de Cristiane Zem falam pela primeira vez: “Eu não tenho a sensação de que a vida dela foi roubada”

A filha mais nova de Cristiane, Gabrielly Zem, de 22 anos, afirmou que é o exemplo de força da mãe que a ajuda agora a lidar com a perda

Daniela
Daniela Borsuk com informações de Emanuel Pierin, da RIC Record TV Curitiba
Familiares de Cristiane Zem falam pela primeira vez: “Eu não tenho a sensação de que a vida dela foi roubada”
(Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

26 de julho de 2021 - 15:50 - Atualizado em 26 de julho de 2021 - 15:51

Os familiares da empresária Cristiane Zem, morta durante um assalto registrado no dia 16 de julho, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, falaram pela primeira vez com a imprensa durante uma entrevista para a RIC Record TV. Emocionados, eles relembraram a trajetória de alegria e muita luz de Cris, como era carinhosamente chamada pelos amigos, e contaram sobre os ensinamentos da empresária, que hoje os guiam para amenizar a dor deste momento de luto.

A filha mais nova de Cristiane, Gabrielly Zem, de 22 anos, afirmou que é o exemplo de força da mãe que a ajuda agora a lidar com a perda.

“As pessoas me olham e dizem ‘nossa, como ela está aguentando?’, eu digo que eu não quero que ninguém me olhe com dó, eu quero que olhem a minha força e a minha resiliência, que é a mesma que ela [Cris] teve quando ela perdeu a mãe dela. E ela reconstruiu a vida dela e ela foi muito feliz, então a minha mãe sabia, ela tinha o entendimento que a vida era curta e ela fez valer. Cada dia, cada segundo, da melhor maneira. Então eu não tenho em nenhum momento a sensação de que a vida dela foi roubada, eu tenho a sensação de que a vida dela foi vivida”. 

Contou Gabrielly.

Cristiane perdeu a mãe com 22 anos, a mesma idade que hoje Gabrielly também passa pela mesma situação. Mas a empresária não se deixou abater e buscou em si mesma a força para continuar em frente.

“Ela gostava de não só se sentir bonita, como também fazer as pessoas se sentirem bonitas, sabe, a minha mãe gostava de elogiar, gostava de ser elogiada. Ela perdeu o pai com 11 anos, a mãe com 22, então ela foi órfã muito cedo e ficou desamparada, com dois irmãos pequenos. A minha irmã tinha três aninhos e minha mãe era solteira. Então assim, ela precisou se reconstruir em um momento que ela não tinha de onde tirar forças, e ela foi tirando essa força de dentro dela. E foi isso que fez ela ter essa autoestima tão grande”.

descreveu a filha mais nova.

Aline Zem, amiga, cunhada e meia-irmã de Cristiane contou que a empresária era como uma mãe para todo mundo e costumava ser a pessoa que unia a família. “Ela conseguia unir todos e fazer com que todos ficassem bem. Então muitas brigas, muitas vezes que tinha como em qualquer família, ela estava ali para apaziguar e ajudar todo mundo, então ela era a mãe de todo mundo”, disse Aline.

Agora, Aline pretende seguir cuidando de Gabrielly como Cris fazia, com muita alegria. “Ela me deixa ensinamentos de amor, alegria, ela deixou a filha para eu cuidar, ela ensinou só a ter alegria, então a gente vai seguir com alegria para sempre”, contou a amiga.

Gabrielly frisou que apesar de ter morrido tão jovem, Cris teve uma vida plena e feliz. “A vida da minha mãe teve início, meio e fim de uma maneira linda, ela viveu um ciclo maravilhoso, e eu percebo que no fundo a minha mãe sabia que ela ia ter um ciclo curto aqui na terra”, contou.

Ao ser questionada sobre os suspeitos de terem tirado a vida da mãe, Gabrielly afirmou que não sente ódio. “Não tenho nenhum ódio, nenhum rancor, nenhuma raiva, porque ela não me ensinou a ter, não tenho. Ódio é um sentimento que eu nunca ouvi minha mãe falar essa palavra, ‘ai eu sinto ódio de tal coisa’, nunca, nunca ouvi. Então como é que eu vou ter um sentimento que ela não me ensinou a ter?”, completou.

Investigações

Nesta segunda-feira (26), o delegado responsável pelas investigações do caso da morte de Cristiane deu entrevista para o programa Balanço Geral. Fábio Machado contou que, nesta manhã, um terceiro possível envolvido no latrocínio foi ouvido na delegacia de São José dos Pinhais. O homem foi acompanhado de um advogado e disse que estava no mercado, sacando dinheiro, no momento do crime. O álibi dele ainda será apurado, para identificar se ele estava em um carro dando cobertura para Adriel Chagas e Everson Golçalves.

O homem é apontado por Adriel Chagas, que está preso, como sendo a pessoa para quem os suspeitos ligaram após atirar contra Cristiane. O terceiro suspeito afirmou que é amigo de Everson Gonçalves, que está foragido, e que o conheceu em um centro de atendimento socioeducativo onde estiveram detidos na adolescência. A polícia acredita que foi ele quem indicou o mandante do crime, a pessoa que teria pago R$3 mil para que os suspeitos roubassem uma caminhonete.

“O que nós temos até agora é o seguinte: quando nós prendemos um dos suspeitos, ele disse para a gente ‘olha, um amigo tal, que seria essa pessoa que a gente ouviu hoje, ele nos apontou uma pessoa que queria uma caminhonete, queria que roubassem uma caminhonete para ela’”. 

explicou o delegado.

A Polícia Civil quer agora verificar outros envolvidos no crime. “Eles [Adriel e Everson] receberam a arma de fogo de outros suspeitos, estavam recebendo apoio de um outro veículo com dois suspeitos durante esse assalto. Esses indivíduos teriam fugido no momento do assalto, eles inclusive teriam ligado várias vezes pedindo resgate para esses indivíduos, para que eles viessem resgatá-los, mas isso não aconteceu. Nós queremos agora identificar e prender esses outros suspeitos”, pontou Fábio Machado.

Ainda, é preciso identificar quem seria o mandante do crime, ou seja, a pessoa que, segundo relato de Adriel, teria dado R$ 3 mil para que um veículo fosse roubado. “Nós queremos agora saber quem é essa pessoa que teria oferecido R$ 3 mil para que os criminosos roubassem uma caminhonete e também queremos saber se foi essa pessoa que forneceu a arma de fogo para execução desse crime”, descreveu o delegado.

Adriel ainda contou que a intenção não era matar a empresária, mas que durante o assalto, na tentativa de empurrar Cristiane para o banco do carona, um dos suspeitos teria batido com a arma na cabeça dela e que, neste momento, o tiro foi disparado.

A polícia pede que a população colabore com a localização do suspeito foragido, Everson Gonçalves, que está sendo procurado. As denúncias podem ser feitas anonimamente, através do 187, ou diretamente para a equipe de investigações, para o (41) 3299-1540.

(Foto: Polícia Civil do Paraná)

O crime

Uma empresária, de 48 anos, foi alvo de um latrocínio no dia 16 de julho, em São José do Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Cristiane Lúcia Duarte Zem havia ido a um comércio nas proximidades da BR-376 e foi surpreendida por dois assaltantes no momento em que estava dentro da caminhonete, no estacionamento. Os rapazes dispararam com uma arma de fogo e a vítima foi baleada na cabeça. O socorro foi acionado, mas a mulher não resistiu.

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