Segurança

Família de jovem morto no Largo da Ordem pede providências; GM pode ter causado tragédia

Deivson Novaski, amigo de Mateus, ainda relata que a violência foi desnecessária e que os agentes poderiam ter usado balas de borracha ou gás de pimenta

Daniela
Daniela Borsuk com informações de Tiago Silva, da RIC Record TV Curitiba
Família de jovem morto no Largo da Ordem pede providências; GM pode ter causado tragédia
Matheus Silva Noga, morto com nove tiros (Foto: Redes Sociais)

13 de setembro de 2021 - 14:29 - Atualizado em 14 de setembro de 2021 - 11:56

Foi sepultado na tarde desta segunda-feira (13), o corpo de Mateus Silva Noga, de 22 anos, que morreu ao ser atingido por um disparo de arma de fogo durante uma confusão registrada no Largo da Ordem, no Centro Histórico de Curitiba, na noite de sábado (11). A suspeita é de que o tiro tenha sido feito por um guarda municipal.

Conforme informações da família, Mateus foi atingido por um tiro que causou nove perfurações em diversos órgãos. Ele chegou a ser encaminhado para o Hospital do Trabalhador, onde passou por cirurgias, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no domingo (12). Mateus era empresário e deixou um filho bebê. Além dele, uma mulher, de 31 anos, e a filha, de 14 anos, também foram baleadas. Elas foram socorridas e levadas para o Hospital Evangélico com ferimentos moderados.

A situação aconteceu por volta das 22h45, quando a Guarda Municipal foi acionada para atender uma confusão que teria iniciado por causa de uma briga de casal. Os amigos que estavam com Mateus contaram que, ao verem a equipe, começaram a subir a rua e, logo em seguida, ouviram os tiros, que teriam sido disparados para dispersar a aglomeração no local.

“Ele atravessou a rua, andou uns 15 metros, 10 metros, foi onde ele abaixou. Eu brinquei com ele ainda e falei ‘o cara, levou um tiro?’, ele só balançou a cabeça assim [afirmativamente]. Eu achei que ele estava brincando, porque ele começou a correr, foi onde ele caiu e a gente percebeu que as costas dele estavam cheias de sangue.”

relatou Deivson Novaski, amigo de Mateus.

Deivson Novaski, amigo de Mateus, ainda relata que a violência foi desnecessária e que os agentes poderiam ter usado balas de borracha ou gás de pimenta. “Os caras chegaram com uma viatura, já chegaram metendo tiro e ainda uma arma de fogo. Olha o que resultou, na morte do nosso amigo”, desabafou. A princípio, o jovem não teria nenhuma relação com a confusão.

A Guarda diz que, quando chegou, populares arremessaram várias garrafas de vidro contra a equipe, que reagiu. A informação oficial da prefeitura não fala que foram os guardas que atiraram na multidão, porém até a chegada dos guardas no local, ainda não tinham ocorrido tiros.

De acordo com o tio de Mateus, Nivaldo Noga, a situação foi lamentável. “O corpo do menino tem nove perfurações. E três das perfurações atravessaram o corpo, então é uma arma de altíssimo poder de destruição e a perda de um jovem que tinha a vida inteira pela frente”, relatou.

“A dor não vai passar nunca, a cicatriz não vai se curar. A gente espera providências das autoridades para que outros jovens não sofram a mesma agressão, a gente espera que tudo o que teve de errado, que resultou nessa tragédia, seja corrigido”.

disse Nivaldo.

O jovem tinha ido até o Centro da cidade para comemorar a aprovação no Detran, já que havia conseguido tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Em nota, a Guarda Municipal lamentou a morte do jovem e informou que a Corregedoria da GM já abriu uma investigação para apurar fatos e circunstâncias. “O procedimento vai apurar eventuais irregularidades, com as devidas providências previstas em regimento interno da corporação e demais legislações inerentes à matéria”, diz a nota oficial.