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Família de brasileiro preso na Venezuela reclama da falta de notícias

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

31 de dezembro de 2017 - 00:00 - Atualizado em 31 de dezembro de 2017 - 00:00

Nas redes sociais, o jovem de 31 anos se mostrava indignado com a situação da Venezuela. (Foto: Reprodução/Facebook)

Em conversa com o Portal RIC Mais, irmão de Jonatan Moisés Diniz, brasileiro preso na Venezuela, fala sobre a preocupação dos familiares

A prisão do brasileiro Jonatan Moisés Diniz, 31 anos, em Caracas, na Venezuela, foi anunciada pelo dirigente chavista Diosdado Cabello – braço-direito de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela – na noite desta quarta-feira (27). Desde então, a família, natural de Santa Catarina, vive momentos de desespero diante das incertezas que rodeiam sua captura e confinamento. O jovem é acusado de participar de uma organização criminosa com braços internacionais.

Em conversa com o Portal RIC Mais, Franciel Vivan, irmão de Jonatan, falou sobre a preocupação dos familiares. “Não temos nenhuma informação, o contato com o Consulado e com o Itamaraty são frequentes, porém, não temos nenhuma informação e estamos implorando para que alguma providência seja tomada”. A própria informação da prisão do brasileiro chegou até eles de maneira informal. “Uma amiga venezuelana dele avisou através da rede social um familiar no mesmo dia da prisão, provavelmente o mesmo dia da divulgação por parte do governo venezuelano”, contou.

A acusação

Ele foi detido pelo governo venezuelano sob a acusação de promover atividades contra o governo de Nicolás Maduro e participar de uma organização criminosa. Entretanto, sua família afirma que Jonatan estava no país apenas para ajudar crianças pobres com sua ONG Time of Change.

Franciel contou que Jonatan morou em Caracas no início de 2017 por pelo menos 2 meses, mas resolveu ir embora do país e voltar para os EUA depois que a situação política e econômica da Venezuela começou a ficar cada vez mais complicada. Foi nesse momento também que ele estreitou ainda mais sua ligação com o povo do país e suas dificuldades.  “Ele morava lá na Venezuela no começo do ano, tinha uma namorada natural de lá e resolveu voltar pros EUA quando a situação do país começou a ficar crítica, porém sempre teve muita afetividade com o povo de lá”, disse Franciel.

Ajuda humanitária

Diniz é visto pela família como um viajante. Morou na Califórnia, nos Estados Unidos da América (EUA) por 4 anos e lá idealizou e pôs em prática a ideia da ONG Time of Change, voltada exclusivamente para ajudar o povo venezuelano. “Ele é um viajante, vive conhecendo o mundo e encontrou na Venezuela uma urgência maior de solidariedade”, afirmou.

Segundo o irmão, o jovem sempre gostou de ajudar pessoas e a ONG é um projeto humanitário onde ele encontra satisfação. Em suas redes sociais como Instagram e Facebook é possível ver inúmeras fotos de ações da ONG, onde ele e amigos distribuem roupas e alimentos para a população carente, e ainda promovem campanhas para arrecadar dinheiro que possibilite a continuação do apoio.  Só em 2017, esteve pelo menos duas vezes no país promovendo tais ações, pois estaria impressionado com a pobreza e miséria na região.

Jonatan Moisés Diniz estava na Venezuela em um trabalho humanitário para ajudar crianças carentes. (Foto: Reprodução/Intagram)

Ele foi detido pelo governo venezuelano sob a acusação de promover atividades contra o governo de Nicolás Maduro. (Foto: Reprodução/Facebook)

Jonatan morou em Caracas no início de 2017 por pelo menos 2 meses. (Foto: Reprodução/Instagram)

Postagens redes sociais

Entre suas postagem nas redes pessoais também é possível encontrar críticas ao governo do presidente Nicolás Maduro. Nada que ultrapasse os conceitos de liberdade de expressão onde a democracia é vigente. Entretanto, na Venezuela tais comentários foram vistos como promoção de atividades contra o governo do presidente e ajudaram a motivar sua prisão.

Para Franciel, o fato do irmão ser brasileiro e a crise vivida entre os dois países também ajudou na hora do governo da Venezuela decretar sua prisão. “Na verdade imaginamos que seja por ele ser brasileiro, por ser contra o governo e por estar mostrando através das redes sociais o caos que o país está, crianças morrendo de fome e o país entrando em colapso”.

O próprio governo venezuelano disse que ele estaria sendo punido por publicar na internet imagens dos protestos contra o regime de Maduro. “Imaginamos e sabemos como funciona um país num regime de ditadura, tivemos exemplo no Brasil já e podemos observar ao redor do mundo alguns países que seguem esse regime. É lamentável pessoas serem mortas todos os dias por diversas formas e não terem o direito de expressar sua opinião. Sabemos que o governo de lá não admite contrariedade e age de forma bruta e covarde com quem assim se comporta”, disse inconformado Franciel.  “Algo precisa ser feito, caso contrário pessoas inocentes vão continuar morrendo das mais absurdas formas” completou.

 Críticas ao governo do presidente Nicolás Maduro. (Foto: Reprodução/Facebook)

Vídeo postado em seu perfil pessoal. (Foto: Reprodução/Instagram)

A prisão

Jonatan foi preso durante uma ação de distribuição de comidas e roupas para qual estava trabalhando há alguns meses. Em suas postagens de novembro, é possível encontrar divulgações sobre a ação, além do pedido de doações.

O anúncio da prisão feito por Cabello ocorreu durante seu programa de TV semanal. O líder chavista insinuou que o brasileiro teria ligações com a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) e o trabalho da ONG serviria para financiar grupos terroristas que não apoiam o atual governo venezuelano.

Ainda durante o programa, o número dois do regime chavista disse que ele estaria detido na embaixada americana e que os direitos humanos seriam garantidos. “Alerta com este tipo de ações de aparência social”, disse Cabello. Junto com o brasileiro foram presas outras três pessoas.

Crise diplomática

Nas últimas semanas que precederam a prisão do brasileiro, o Brasil e a Venezuela já vinham enfrentando uma séria crise de relações diplomáticas e ao que parece, o incidente aprofundará ainda mais os desentendimentos.

O embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Pereira, foi declarado persona non grata pela Assembleia Nacional Constituinte no dia 20 de dezembro.

Situação da Venezuela

Segundo a Agência Brasil, grupos de direitos humanos e opositores do presidente Nicolás Maduro dizem que as autoridades estão mantendo de maneira injusta 268 presos políticos,

sendo punidos por protestarem contra a “ditadura”. Cerca de 170 pessoas morreram pela violência em dois protestos anti-Maduro em 2014 e no início de 2017.

Países vizinhos latino-americanos e ocidentais têm criticado cada vez mais o presidente Nicolás Maduro por desrespeitar a democracia e os direitos humanos. Por seu lado, o governo diz que os países estrangeiros estão tentando encorajar um golpe de direita.

Ministério das Relações Exteriores

O Ministério das Relações Exteriores está em negociação com o governo da Venezuela na tentativa de obter a liberação do brasileiro preso no país vizinho essa semana. De acordo com o governo brasileiro, o Consulado do Brasil em Caracas mantém contato com as autoridades locais e com a família do jovem detido.

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