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“Eu faria tudo de novo”, diz jovem que salvou irmão de incêndio em Colombo

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

1 de fevereiro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 1 de fevereiro de 2019 - 00:00

Jaqueline permanece internada e em recuperação. (Foto: Reprodução/RICTV)

A adolescente de 16 anos teve 60% do corpo queimado de forma grave ao entrar em casa para salvar o irmão de quatro anos

Jaqueline Andrade, 16 anos, salvou o irmão de quatro anos durante um incêndio que atingiu a residência da família na madrugada do dia 15 de janeiro em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. De lá para cá, a jovem heroína tem lutado por sua vida, já que teve 60% do corpo queimado de forma grave e permanece internada. (Veja vídeo da entrevista abaixo) 

Lembranças da noite do incêndio

A adolescente que mesmo com o corpo em chamas voltou para buscar o irmão lembra como tudo aconteceu. “Quando eu vi, o meu pai começou a gritar ‘a casa pegou fogo’. Daí, todo mundo saiu correndo para fora e eu também saí correndo. Só que eu já ‘tava’ mais queimada porque o fogo começou no meu quarto. Aí, eu peguei e senti falta dele, daí eu voltei correndo e peguei ele”. A menina ainda conta que encontrou a criança apavorada e encolhida atrás do fogão. “Eu não me arrependo. Eu faria tudo de novo”, afirmou com convicção.  

Jaque, mesmo com tão pouca idade, já tem sabedoria para dar uma lição de amor ao próximo. ‘Quando a gente vê na TV filho mata mãe, mãe mata filho, eu fico muito triste porque eu não teria coragem. Eu sempre tive coragem de dar a minha vida para os outros. Eu agradeço a Deus e eu faria de volta. Eu daria minha vida por ele”.  

Recuperação

Segundo a mãe Dinair Farias de Andrade, o fogo queimou Jaqueline de tal forma, que ela não reconheceu a própria filha e pensou que estava vendo outra pessoa. Apenas três dias depois, quando a jovem abriu os olhos e falou ‘mãe’, ela teve certeza que se tratava da menina. “Quando eu cheguei ali na UTI, que eu vi aquela moça com o rosto todo preto, preto, preto, e cabeça muito inchada, eu pensei ‘Meu Deus, o tanto que essa mulher se queimou’. E daí, eu perguntei pra moça ‘Eu quero ver a moça que deu entrada aqui de madrugada’. Daí, ela falou assim ‘Como é o nome dela’?, aí eu falei e ela disse ‘É essa daí’. Eu não aceitava, eu até pensava que ela tinha morrido e ‘ponharam’ outra pessoa para me enganar. Aí, depois de três dias, quando ela abriu o olhinho e falou ‘mãe’, eu sabia que era ela”, lembrou emocionada.

Mãe e filha enfrentam juntas a luta pela vida após o incêndio. (Foto: Reprodução/RICTV)

Com queimaduras espalhadas por todo o corpo, Jaqueline ficou 15 dias na Unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Universitário Evangélico MacKenzie e como a mesma valentia que usou para salvar o irmão, lutou por sua vida. A mãe que por duas vezes foi informada pelos médicos que a filha poderia morrer conta que entrou em desespero. “O dia que ela entrou no centro cirúrgico, que o doutor falou coisas terríveis dela, coisa que é verdade, ele falou o que ele sabe. Eu pensei em me jogar da janela. Eu pensei eu não vou ficar sem a Jaque porque não tem como”.

Mas, finalmente, o quadro de saúde de Jaqueline começou a melhorar e ela pôde ser transferida para um quarto. Agora cada avanço é motivo para comemoração. “Cada curativo que eles tiram dela, eu sei que é mais uma vitória”, disse Dinair.

Suspeita de incêndio criminoso

A casa da família ficou completamente destruída, no entanto, em meio aos escombros, a polícia encontrou um coquetel motolov – um tipo de bomba incendiária de fabricação caseira.

A casa onde a família vivia em Colombo ficou completamente destruída. (Foto: Reprodução/RICTV)

A jovem afirma que enquanto dormia, teria por um momento acordado e visto alguém abrindo a janela de seu quarto. “Eu notei que era um homem. E eu tenho certeza que foi um incêndio criminoso e eu quero justiça porque eu to sofrendo muito, a minha família e a minha mãe, todo mundo. Tudo o que eu tô passando, eu não merecia”. Contudo, em nenhum momento, ela diz estar arrependida.“Sabe que eu agradeço a Deus por eu ter sido queimada. Porque eu sendo queimada, ele não morreu. Foi Deus que lembrou, né. Porque num incêndio quem vai lembrar de alguém. Você lembra só da sua vida”.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Colombo. 

Assista à reportagem completa:

Taís Santana, repórter da RICTV Curitiba | Record PR, foi até o hospital e conta todos os detalhes.

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